António Costa diz que está “obviamente, totalmente disponível” para responder aos deputados da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ao caso Tancos. A informação, prestada pelo gabinete do Primeiro-ministro ao semanário Expresso, surge depois da oposição, à esquerda e à direita, ter admitido chamá-lo a explicar que conhecimento tinha do desaparecimento do material militar e da forma como as armas foram recuperadas.

Caso Tancos. CDS volta a exigir explicações de António Costa

CDS, Bloco de Esquerda e PCP foram os primeiros a avançar a possibilidade de ouvir António Costa na CPI que há-de investigar o caso. Num primeiro momento, o PSD recusou fazê-lo — por entender que a sede própria para essas explicações seria o plenário e não uma comissão –, mas mudou de posição. Também ao Expresso, Fernando Negrão, líder da bancada parlamentar do PSD, já admitiu a audição de Costa, mesmo que por escrito: “Fazer perguntas por escrito ao Primeiro-ministro é uma hipótese que não pomos de parte, tal como já aconteceu no passado”, explicou.

A Comissão Parlamentar de Inquérito “sobre as consequências e responsabilidades políticas do furto do material militar ocorrido em Tancos” deverá começar ainda no mês de novembro. A criação foi aprovada a 26 de outubro, numa votação na qual só o PCP se absteve. O Bloco votou a favor — depois de ter contestado a proposta — para forçar audição de Azeredo.

Comissão de inquérito a Tancos aprovada pelo Parlamento

Marcelo reafirma que não sabia. “Se pensam que me calam, não me calam”

O Presidente da República insiste que, em nenhum momento, foi informado sobre a investigação ao desaparecimento das armas e a um alegado encobrimento. Já depois de, à margem de uma visita à Madeira, Marcelo Rebelo de Sousa ter dito que “é do outro mundo” achar-se que sabia o que se passou no caso do roubo das armas, o PR acrescentou, em declarações ao Público, que nunca falou com o antigo diretor da Polícia Judiciária Militar, agora arguido da Operação Húbris.

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A explicação surge depois de uma reportagem do programa Sexta às 9, da RTP, que dá conta de vários contactos entre a PJM e Belém, através do, na altura, Chefe da Casa Militar. Marcelo diz que não compreende essas notícias, sobretudo porque nunca lhe perguntaram se era verdade: “Estranho que quem me queira atribuir o que quer que seja o tenha feito sem me ouvir previamente. É o mínimo para qualquer cidadão”.

Marcelo admite que pode não ter havido encobrimento em Tancos. E diz que é “do outro mundo” achar-se que sabia o que se passou

O PR insiste, aliás, que foi ele quem mais fez pressão pública para que o caso fosse esclarecido e vê nestas informações a tentativa de envolvê-lo numa “nebulosa”, que servirá apenas um interesse: não identificar ou punir os autores do assalto. “Se pensam que me calam, não me calam”, garante ao Público.