Assalto em Tancos

Marcelo admite que pode não ter havido encobrimento em Tancos. E diz que é “do outro mundo” achar-se que sabia o que se passou

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Marcelo insiste que a Presidência não foi informada de alegado encobrimento no caso Tancos. Presidente diz que "é do outro mundo" achar-se que sabia o que se passou no caso do roubo das armas.

NUNO VEIGA/LUSA

Marcelo Rebelo de Sousa admite que possa não ter havido nenhum encobrimento no caso de Tancos. O Presidente da República falava aos jornalistas na Madeira onde está numa visita de dois dias, e no seguimento de uma reportagem do programa “Sexta às Nove” da RTP que diz que os avanços na investigação terão sido reportados a Belém, via ex-Chefe da Casa Militar. “É do outro mundo”, disse o Presidente, sobre a hipótese de saber o que se passou em Tancos.

Marcelo começou por dizer que “não há nenhum dado novo” e depois citou o ex-Chefe da Casa Militar da Presidência da República, que “já desmentiu saber o que quer que fosse sobre memorando, reuniões, encobrimento. Supondo que houve encobrimento, uma vez que o o último testemunho é de que não teria havido encobrimento”, continuou o Presidente.

A reportagem exibida pela RTP começa por recordar uma reunião que ocorreu uma semana depois do assalto aos paióis de Tancos onde estiveram presentes o Presidente da República, o então ministro da Defesa, as chefias militares e o Diretor da Polícia Judicária Militar. Marcelo confirma essa reunião, mas esta sexta-feira garantiu que  “em momento algum envolveu encobrimento.” Mais, acrescentou, “encobrimento significa haver uma proteção dada a quem se desconfia que é criminoso, em troca de alguma coisa: recuperação das armas, ou de uma pista sobre a recuperação das armas, com a garantia de uma não punição. Ora, naquela altura estava-se em cima do acontecimento, procurava-se, como se procura, os responsáveis do furto. Jamais poderia ter-se falado de encobrimento porque a preocupação era, quem é que terá furtado”, concluiu o Presidente.

“É o mundo de pernas para o ar”

A RTP garante que o ex-chefe da Casa Militar, tenente-general João Cordeiro, mantinha contactos frequentes com o ex-director da PJM, coronel Luís Vieira, agora detido, antes e depois da recuperação das armas. João Cordeiro não quis revelar à estação pública que informações transmitiu à Presidência e as razões porque abandonou o cargo em Belém no fim de 2017, passando à reserva. Uma explicação que foi avançada também esta tarde, no Funchal, pelo Presidente da República: “Precisamente porque se aproximava da reserva. Estava previsto que se afastasse no fim do verão de 2017, e depois foi-lhe pedido que ficasse para haver a transição mais uns meses. Mas não teve nada a ver, de todo em todo, com encobrimento”, garantiu o Marcelo.

O Presidente da República fez ainda questão de repetir que continua sem ter conhecimento daquilo que se passou: “Se eu hoje soubesse o destino das armas e quem furtou, não insistia num esclarecimento. Se eu hoje soubesse exatamente o que se passou em termos de recuperação das armas, não insistia. Se insisto, é porque não sei”. Marcelo Rebelo de Sousa considera, por isso, “do outro mundo, do ponto de vista do sentido de Estado e da falta de noção das coisas, achar-se que quem andou a insistir permanentemente em relação ao esclarecimento da verdade, apareça agora como tendo sabido da verdade no momento da recuperação das armas. É o mundo de pernas para o ar e, por aí, nunca se apurará nada.”

Nota: este artigo foi corrigido em relação ao que foi publicado inicialmente com informação errada. A RTP, ao contrário do que avançámos, nunca diz que o Presidente sabia da investigação de Tancos, mas sim que a Presidência estava informada. Pelo erro do Observador, as nossas desculpas ao Presidente e aos leitores.

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