Suíça

Vacas com cornos, símbolo nacional da Suíça, vão a referendo

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Um agricultor conseguiu reunir as cem mil assinaturas necessárias para levar a referendo nacional uma proposta para que sejam dados subsídios a agricultores que produzam e alimentem vacas com cornos.

Armin Capaul, agricultor e ativista animal, ao lado de uma vaca com chifres, símbolo nacional da Suíça

AFP/Getty Images

Autor
  • Agência Lusa

A vaca com cornos, símbolo nacional da Suíça, que aparece em postais e caixas de chocolate e faz parte da paisagem alpina, vai a referendo no domingo. Um agricultor e ativista animal, Armin Capaul, não se conformou com o facto de apenas 10% das vacas na Suíça terem cornos, apesar de essa ser a imagem de marca do país, aparecendo nos postais ilustrados, nas embalagens de chocolate, nos emblemas de diversas organizações.

Capaul pôs os pés ao caminho e conseguiu, em 18 meses, reunir as cem mil assinaturas (119.626, mais precisamente) necessárias para levar a referendo nacional, no próximo domingo, uma proposta para que sejam dados subsídios a agricultores que produzam e alimentem vacas com cornos.

“Eu falo com as minhas vacas no estábulo”, confessou Armin Capaul, acrescentando que elas lhe perguntaram se poderia fazer alguma coisa para as ajudar a manter os seus cornos, ao que ele lhes terá respondido que elas estavam certas e “que alguém deveria fazer alguma coisa”.

Depois desta “conversa”, o agricultor e ativista, conhecido em Perrefite (no vale de Moutier, na região de Jura) como o “punk das vacas”, tentou encontrar apoio para a causa no Departamento Federal de Agricultura. “Mas eles riram-se de mim…”, lamentou Capaul, tendo então iniciado uma campanha nacional para tirar proveito dos muitos referendos que a Suíça anualmente realiza, ao abrigo de uma Constituição que incentiva a deliberação participativa. “Os cornos são parte da vaca, (…), não temos o direito de mudar a aparência física destes animais”, explica Armin Capaul, para justificar a nobreza da sua luta.

Os agricultores cortam os cornos às vacas para reduzirem o espaço que elas ocupam os estábulos, tornando a sua manutenção mais barata, sendo cada vez menos os produtores que respeitam a sua configuração natural.

São os estábulos que se devem adaptar às vacas, não as vacas aos estábulos”, conclui Capaul.

O governo suíço, através do seu Conselho Federal, já disse que “se recusa a conceder contribuições específicas, porque não há nenhum estudo que comprove que o bem-estar das vacas ou cabras seja impedido pela ausência dos cornos”.

A União de Agricultores Suíços anunciou que não se vai intrometer na questão e deixa liberdade de voto aos seus associados. Uma recente sondagem divulgada pelos média suíços indica que a iniciativa de Capaul deverá ser rejeitada (52% contra, 45% a favor). Se assim acontecer, Capaul terá de ter uma nova “conversa” com as suas vacas, para explicar o desaire político.

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