O Presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, acusou esta terça-feira, na rede social Twitter, o Partido dos Trabalhadores (PT) de “financiar a ditadura” cubana através do programa ‘Mais Médicos”.

“Após Cuba irresponsavelmente retirar-se do ‘Mais Médicos’ por não aceitar dar liberdade e salário integral aos seus cidadãos, quase 100% das vagas já foram preenchidas por brasileiros. Está claro que o acordo do PT era pretexto para financiar a ditadura membro do foro de São Paulo”, escreve Bolsonaro.

O futuro Presidente do Brasil acrescentou ainda: “Há outros acordos suspeitos claramente inviáveis que reforçam a ideia de que o nosso país estava disfarçadamente servindo de fonte de renda de partidos alinhados ideologicamente na América Latina, com nossa soberania dando lugar a uma verdadeira submissão ideológica. Não mais!”, declarou, sem identificar a que acordos se referia.

No entanto, para o representante da OPAS (Organização Pan-Americana de Saúde) no Brasil, Joaquín Molina, a chegada de médicos cubanos para atuar no programa ‘Mais Médicos’ representou uma resposta de emergência ao momento que o país atravessava: o Brasil “estava desesperado” devido à falta de profissionais no interior, garantiu Molina, citado pelo jornal Folha de São Paulo.

Segundo o representante da OPAS, que está no país desde 2012 e acompanhou o programa desde o início, “a necessidade de médicos estrangeiros era óbvia”.

“Quando o Brasil criou o programa ‘Mais Médicos’, ele estava numa situação desesperada, com milhares de vagas lançadas sucessivamente todos os anos [pelos municípios] e não ocupadas. E as que estavam ocupadas eram de forma parcial. Havia médicos por oito horas, 20 horas na semana, mas nunca com jornada de 40 horas”, afirmou.

O envio de médicos cubanos para o exterior é uma tradição de longa data de Cuba, mas é também uma das principais fontes de proveito económico para o país — do qual se estima um retorno de mais de nove mil milhões de euros por ano.

Perante a repentina situação de ausência de médicos de Cuba em determinadas regiões, o atual Ministério da Saúde do Brasil, liderado Gilberto Occhi, apressou-se a arranjar uma solução de emergência para suprir a ausência dos profissionais cubanos.

Dessa forma, foram disponibilizadas 8.517 vagas para um novo edital do programa ‘Mais Médicos’, a serem ocupadas por médicos brasileiros inscritos no conselho regional de medicina ou com diploma revalidado no país, e que estejam disponíveis a atuar em 2.824 municípios do país, que eram anteriormente ocupadas por médicos da cooperação com Cuba.

A solução encontrada pelo presente Governo brasileiro parece ter sustido efeito, onde no mais recente balanço do Ministério da Saúde do Brasil é possível verificar que cerca de 97% das vagas do novo edital já foram preenchidas.

No total, 8.230 profissionais já estão alocados nos respetivos municípios para atuação imediata e, até ao momento, 40 desses médicos já se apresentaram nas unidades básicas de saúde, informou a pasta da Saúde nesta segunda-feira.

O programa “Mais Médicos” foi criado em 2013 pela então Presidente brasileira Dilma Rousseff e permitiu a milhares de médicos cubanos a prestação de cuidados às populações das áreas mais pobres e remotas do Brasil.