Mercado

Braço-de-ferro. Trump reúne com VW, Mercedes e BMW

A reunião nos EUA entre Trump e os CEO dos três maiores grupos alemães da indústria automóvel, correu bem. O Presidente americano quer criar empregos e diminuir o déficit, os segundos abolir taxas.

À entrada da reunião de ontem na Casa Branca, entre Donald Trump e o seu responsável pelo Comércio, Wilbur Ross, e os representantes dos três maiores grupos alemães da indústria automóvel, todos os intervenientes tinham à partida uma lista de exigências que era conhecida pela generalidade. De um lado, os americanos queriam reduzir o deficit comercial com a Europa, que ronda os 58 mil milhões de euros (cerca de metade relativa a veículos), e equilibrar as taxas com que os europeus penalizam os produtos americanos (face aos impostos pagos pelas suas exportações para os EUA). Do outro lado, Herbert Diess, CEO da Volkswagen, Dieter Zetsche, da Daimler e Harald Krüger, da BMW, queriam que fossem retiradas as taxas impostas pelo Governo de Trump aos veículos europeus que rumam aos EUA, bem como garantir que a guerra comercial como a China não belisca as exportações para este país oriental dos veículos produzidos por eles nos EUA.

A lista de exigências era de tal forma dissonante que poucos analistas atribuíam grande probabilidade de sucesso à reunião. Mas os fabricantes europeus tinham uma carta na manga, que lhes foi ‘oferecida’ nas últimas semanas pelos seus concorrentes americanos, e que eles terão feito questão de esgrimir. Referimo-nos aos despedimentos e encerramentos de fábricas por parte da GM (já anunciados) e da Ford (apenas mencionados), que deixaram o Presidente americano à beira de um ataque de nervos e, por isso mesmo, mais aberto às “prendas” que os três grandes construtores europeus tinham para lhe oferecer: investimentos e criação de postos de trabalho nos EUA, caso as taxas aos produtos europeus fossem esquecidas e a guerra comercial com a China abandonada.

Segundo a Deutsche Welle, a delegação dos fabricantes de automóveis foi devidamente articulada com as autoridades alemãs e europeias, apesar de VW, Mercedes e BMW terem problemas específicos que queriam ver abordados. Daí que uma parte das reuniões decorresse mano a mano, entre os representantes do Governo americano e o CEO de cada grupo. Com os veículos eléctricos debaixo de olho, os três construtores facilmente podiam prometer investimentos e criação de postos de trabalho. Para a VW, era fundamental que as taxas de 25% a aplicar sobre os automóveis da Audi e Porsche caíssem, regressando aos anteriores 2,5%. Para tal, Diess estava em condições de prometer recorrer às fábricas que entretanto a Ford possa deixar livres, para aí produzir os seus automóveis eléctricos destinados aos EUA e Canadá, evitando encerramentos e consequentes despedimentos.

Também a BMW e a Mercedes, que importam alguns automóveis da Europa para os EUA, e exportam uma série de SUV ali produzidos para a China, gostariam de ver resolvidas as limitações colocadas pelas taxas à entrada dos Estados Unidos, bem como os impostos às exportações para o mercado chinês, com estes últimos a colocar em causa a viabilidade das fábricas no continente americano. Para isso, segundo alguns analistas, poderiam estar em condições de avançar com a promessa de mais investimentos e criação de emprego, música para os ouvidos do Governo de Trump, já em fase de preparação para as eleições de renovação de mandato, em Novembro de 2020.

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