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A revolta dos improváveis órfãos de Bruno e de Dost (a crónica do Sporting-Belenenses SAD)

Bruno Fernandes estava castigado, Dost não rematou. Wendel, Bruno Gaspar, Miguel Luís e Gudelj carregaram um Sporting que venceu o Belenenses SAD e voltou a ser segundo. A crónica do dérbi lisboeta.

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Gudelj, Miguel Luís e Bruno Gaspar estiveram em destaque no jogo desta quarta-feira

EPA

Gudelj, Miguel Luís e Bruno Gaspar estiveram em destaque no jogo desta quarta-feira

EPA

Na antevisão do jogo desta quinta-feira entre o Sporting e o Belenenses SAD, Silas desvalorizou, de alguma forma, as vozes que dão a Marcel Keizer todo o mérito pelo atual bom momento da equipa de Alvalade — que, antes da derrota em Guimarães na anterior jornada do Campeonato, vinha de dez encontros seguidos sem perder e oito vitórias consecutivas. “O Sporting está diferente porque agora já tem bases que foram criadas por José Peseiro. Agora já pouca gente se lembra de como estava o Sporting antes do Peseiro. É muito mais fácil o trabalho do treinador que veio depois”, disse o técnico dos azuis.

Opiniões à parte, a verdade é que Keizer voltava esta quinta-feira a ter dentro de campo dois jogadores em que apostou desde que aterrou no Aeroporto Humberto Delgado. Wendel e Nani regressavam de lesão e saltavam de imediato para o onze; Miguel Luís, apesar do regresso do brasileiro, mantinha a titularidade devido ao castigo de Bruno Fernandes, que viu o quinto amarelo em Guimarães; e Diaby e Bruno Gaspar saltavam para as opções iniciais em detrimento de Raphinha e Ristovski, titulares contra o Feirense no passado sábado. Do outro lado, Silas continuava sem poder contar com os lesionados Sagna, Nuno Tomás, Chaby e Tiago Caeiro.

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Ficha de jogo

Sporting-Belenenses SAD, 2-1

15.ª jornada da Primeira Liga NOS

Estádio José Alvalade, em Lisboa

Árbitro: João Capela (AF Lisboa)

Sporting: Renan, Bruno Gaspar, Coates, Mathieu, Acuña, Wendel (Petrovic, 73′), Gudelj, Diaby (Jovane, 88′), Miguel Luís, Nani (Raphinha, 69′), Dost

Suplentes não utilizados: Salin, Ristovski, Jefferson, André Pinto

Treinador: Marcel Keizer

Belenenses SAD: Muriel, Viana, Gonçalo Silva, Sasso, Zakarya, Nuno Coelho (Henrique, 53′), André Santos, Eduardo, Lucca (Dálcio, 67′), Fredy, Licá

Suplentes não utilizados: Guilherme, Matija, Reinildo, Cleyton, Dramé

Treinador: Silas

Golos: Bruno Gaspar (57′), Miguel Luís (80′), Fredy (90′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a André Santos (38′), Henrique (64′), Diaby (83′), Bruno Gaspar (87′), Diogo Viana (90+3), Acuña (90+3′), Gonçalo Silva (90+4′)

Os leões sabiam que, em caso de vitória, tinham a oportunidade de voltar a subir ao segundo lugar do Campeonato, após terem caído para a terceira posição no seguimento da derrota em Guimarães e da goleada caseira do Benfica frente ao Sp. Braga. A derrota dos encarnados em Portimão permitia então o regresso do Sporting aos calcanhares do FC Porto, com mais dois pontos do que a equipa comandada por Rui Vitória e mais um do que os bracarenses. Pela frente, contudo, estava um Belenenses com fama e proveito de “tomba gigantes”, desmancha prazeres ou simplesmente uma valente dor de cabeça. Caso conseguisse sair de Alvalade com uma vitória, Silas conseguia derrotar, no espaço de um ano, FC Porto, Benfica e Sporting. O bom momento a equipa do Restelo, contudo, lê-se pelos números, já que os azuis entravam para a 15.ª jornada depois de nove jogos seguidos, em fora e em casa, sem perder. A surpreendente vitória do Portimonense frente ao Benfica deixava o Belenenses pressionado — já que era necessário ganhar para regressar ao sétimo lugar do Campeonato, em igualdade pontual com o Moreirense e o V. Guimarães. E talvez tenha sido por isso que a equipa de Silas entrou em campo com vontade de resolver depressa.

Montada com base no habitual 4-3-2, a equipa do Belenenses entrou no relvado de Alvalade assente na velocidade e na vertigem de Licá e Fredy, os homens mais adiantados, mas também na estabilidade oferecida pelo ex-Sporting André Santos na retaguarda. Os primeiros cinco minutos do jogo desta quarta-feira foram completamente dominados pelos homens do Restelo, que podiam ter inaugurado o marcador em três ocasiões diferentes: primeiro por Licá, num remate cruzado a partir da esquerda, depois por Fredy, que atirou de fora de área, e novamente por Licá, noutro remate cruzado mas, desta feita, a partir da direita. Aos sete minutos de jogo, tinham sido feitos quatro remates e eram todos do Belenenses. Marcel Keizer, o treinador a quem custa gritar com os jogadores, como já foi revelado, manteve-se impávido e sereno, em pé ou sentado a tirar notas, enquanto aguardava uma reação do Sporting à entrada fulgurante dos azuis. Mas não foi preciso esperar muito.

[Carregue nas imagens para ver alguns dos melhores momentos do Sporting-Belenenses SAD:]

Depois de ter assentado o meio-campo, muito por intermédio de uma tranquilidade oferecida por Miguel Luís e Gudelj (que esteve praticamente infalível), o Sporting conseguiu embrenhar-se entre os setores do Belenenses e instalar-se nos últimos 30/60 metros do terreno. Acuña poderia ter marcado ainda nos primeiros dez minutos, depois de uma combinação com Nani, e Wendel não soube aproveitar da melhor maneira um passe genial tirado da cartola de Miguel Luís. Nani, capitão regressado depois de uma breve ausência, assumia o papel que costuma ser de Bruno Fernandes e era o principal maestro de um ataque do Sporting que parecia ter perdido o ímpeto e os golos que a era Keizer havia trazido. Ainda assim, Diaby não estava particularmente inspirado e Bas Dost, que já contra o Feirense tinha ficado alguns furos abaixo do normal, voltava a jogar demasiado de costas para os colegas, sem capacidade de receber as escassas bolas de golo. E não era o único cuja cabeça parece ter ficado na pausa natalícia.

Lá atrás, no eixo da defesa, Sebastián Coates completava 18 minutos de jogo com seis passes falhados e oito perdas de posse de bola. Para pôr a cereja no topo de bolo, só mesmo um erro clamoroso e uma falha de atenção depois de um passe de Acuña, que deixou Fredy totalmente isolado e lançado para a cara de um indefeso Renan. Os deuses do futebol decidiram ao minuto 30 estar do lado do central uruguaio e o remate forte e rasteiro de Fredy foi direitinho ao poste da baliza do Sporting. Em resposta, só dava Nani: o internacional português seguiu o exemplo do adversário e recebeu de Wendel para atirar cruzado e ao poste de Muriel. Na ida para o descanso, o Sporting tinha mais bola, mais posse e mais controlo — mas Fredy tinha o triplo dos remates dos leões e isso queria dizer muita coisa.

No regresso para a segunda parte, Keizer não fez substituições mas o Sporting mudou. Gudelj e Miguel Luís continuaram a oferecer uma solidez defensiva e uma qualidade de passe que permitia a Wendel soltar-se nas imediações da grande área e ser o playmaker, vulgo Bruno Fernandes, que tinha faltado aos leões no primeiro tempo. Nani ficava então liberto para procurar jogo nas alas e trazer bola para terrenos mais interiores, com vista a descobrir espaços entre os blocos do Belenenses. Depois de algumas jogadas de ensaio, em que a bola passava pela maioria dos atacantes do Sporting até chegar ao homem do remate, o tão aguardado golo chegou ainda antes do minuto 60, por intermédio de um inesperado herói.

Nani, sempre Nani, segurou tombado na esquerda, descobriu Diaby de costas para a baliza, o maliano aguardou e manteve um olho na esquerda e outro na direita, à espera de uma movimentação que permitisse o passe. A correr desenfreado pelo ala direita apareceu Bruno Gaspar, que com a bola redondinha e quase parada à sua espera só teve de atirar para o fundo das redes de Muriel. Depois do golo, os leões souberam tirar o pé do acelerador e descansar com organização e controlo — à exceção de um remate perigoso de Licá, o Belenenses não mais conseguiu chegar com perigo à baliza de Renan. A vitória do Sporting passou pelo controlo total do meio-campo, muito graças às grandes exibições de Gudelj, Wendel e Miguel Luís, e pela anulação da ligação entre o setor intermédio e o ataque do conjunto orientado por Silas no segundo tempo. Mesmo após as entradas de Petrovic e Raphinha, para substituir os visivelmente desgastados Nani e Wendel, os leões conseguiram manter o ascendente e não esmorecer a grande segunda parte que vinham a realizar. Miguel Luís ainda ampliou a vantagem em cima do minuto 80, num grande golo que coroou uma grande exibição, e Fredy reduziu mesmo no final da partida — mas, até aí, com vantagem reduzida a um golo e com ainda quatro minutos de tempo extra para jogar, os leões souberam manter a calma e segurar uma partida que estava ganha desde o regresso ao relvado depois do descanso.

Silas terá razão quando diz que o trabalho de Marcel Keizer foi facilitado pelo escolhas e pela dinâmica desenvolvida por José Peseiro. Mas a verdade é que, à exceção de Nani, o Sporting venceu esta quarta-feira o Belenenses graças a jogadores em claro subrendimento e subaproveitamento durante a segunda passagem do técnico português por Alvalade. Bruno Gaspar, Wendel, Gudelj e Miguel Luís (embora este última tenha sido lançado por Peseiro), ganharam uma nova vida com a chegada do treinador holandês e são agora parte importante da organização maioritariamente ofensiva de Keizer — contra o Belenenses, compensaram um meio-campo órfão de Bruno Fernandes e o dia não de Bas Dost, que não fez qualquer remate. O Sporting ganhou e regressou ao segundo lugar do Campeonato, à frente de Benfica e Sp. Braga.

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