O grupo de observadores Sinergia das Missões de Observação Cidadã das Eleições elogiou esta quinta-feira os resultados provisórios que apontam para uma vitória de um candidato da oposição na República Democrática do Congo (RDCongo), “apesar das irregularidades registadas”.

Num comunicado divulgado na página oficial na plataforma Twitter, a Symocel (sigla em francês) afirmou ter tomado nota e aceitado os resultados provisórios que dão a vitória ao candidato da oposição Félix Tshisekedi nas eleições de 30 de dezembro.

Enquanto aguarda o relatório final sobre o processo [eleitoral], a Symocel constata que, apesar das irregularidades registadas, esta etapa inaugura uma via de alternância política histórica esperada pelo povo congolês”, lê-se no documento.

Para o grupo de observadores, o resultado constitui uma base “para a consolidação da conquista da democracia e da paz” na RDCongo.

A Symocel assinalou ainda a boa receção dos resultados pela população.

Esta divulgação foi recebida com júbilo e calma em todo o território nacional, apesar dos incidentes registados nas cidades de Kikwit e Kinsangani”, consta no comunicado.

Durante o dia desta quinta-feira, pelo menos quatro pessoas — dois polícias e dois civis — morreram na cidade de Kikwit, uma área considerada bastião do candidato Martin Fayulu, rival de Tshisekedi.

Ainda assim, o grupo de observadores felicitou “todos os partidos envolvidos, incluindo a CENI [Comissão Eleitoral Nacional Independente], pelo envolvimento ativo” no processo e apelou para os candidatos derrotados “recorrerem às vias legais para fazer valer, eventualmente, os seus direitos”.

À população, a Symocel pede uma contribuição na “manutenção da paz, da coesão e da união nacional”.

Antes da divulgação dos resultados, a Symocel afirmara ter testemunhado 52 “irregularidades graves” nos 101 centros de voto que analisou.

Os resultados provisórios das eleições presidenciais de 30 de dezembro na República Democrática do Congo (RDCongo), divulgados na madrugada de hoje, deram a vitória ao candidato da oposição Félix Tshisekedi, que conquistou 38,57%.

O outro candidato da oposição, Martin Fayulu, ficou em segundo lugar com 34,8% e contestou de imediato os resultados, denunciando o que considera ser um “golpe eleitoral”.

O candidato apoiado pelo partido do Governo, Emmanuel Ramazani Shadary, considerado o delfim do Presidente do país, Joseph Kabila, — que estava impedido de se candidatar — ficou em terceiro lugar.

Com a contestação a assumir já contornos violentos e com quatro mortes registadas, Igreja Católica local e comunidade internacional unem-se no apelo para que uma eventual impugnação dos resultados seja feita “de forma pacífica” e de acordo com a Constituição e as leis eleitorais.

Filho do emblemático líder opositor e ex-primeiro ministro Étienne Tshisekedi, o vencedor das eleições, de 55 anos, demarcou-se, em meados de novembro, do bloco comum da oposição — encabeçado por Fayulu — para liderar a sua própria coligação.

O ainda Presidente governa desde 2001 um país rico em recursos naturais, mas marcado por crises políticas e por um conflito armado que causou milhões de deslocados.