Admite a derrota na primeira batalha, promete que não vai voltar a desestabilizar até à batalha final, diz que só o PSD saiu vencedor da noite das facas longas e ainda recolhe alguns louros: “Acordei um gigante adormecido”. O crítico de Rui Rio e antigo líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, reagiu esta sexta-feira em Espinho, a sua terra natal, à noite agitada que culminou com a relegitimação da liderança de Rui Rio. Diz que está de “consciência tranquila” relativamente ao que se passou e lembra, como que justificando a derrota, que o que tinha pedido era eleições diretas, não um Conselho Nacional.

Luís Montenegro continua “disponível para o país e o partido”, mas garante que, daqui até outubro, não vai voltar a exprimir publicamente as suas divergências com Rui Rio. O próximo encontro entre os dois, contudo, já ficou pré-agendado: “Falamos depois das eleições”.

“Apesar das vicissitudes administrativas e apesar de não ter sido convidado, segui de perto o que lá se passou [no Conselho Nacional]. Foi uma reunião muito viva, à PSD, com uma discussão plural e leal”, começou por dizer, deixando passar a ideia de que, mesmo tendo perdido, o seu avanço serviu pelo menos para duas coisas: primeiro, para mostrar que se disponibilizou para “o país e o partido numa hora difícil”, a pensar “apenas no agora”, sem “taticismo”, o que lhe pode vir a dar crédito para mais tarde; depois, a sua iniciativa serviu também para “acordar um gigante adormecido que é o PSD”. “Nada vai ficar como antes”, disse, defendendo que depois desta última semana, o PSD ficou indiscutivelmente “mais forte e mais apto a disputar as próximas eleições”.

Questionado sobre se a relegitimação de Rio lhe confere maior obrigação de ganhar as eleições contra Costa, Montenegro disse que a “obrigação” está inerente a todos os líderes do PSD, “independentemente das circunstâncias”, mas que “agora estão criadas as condições para o PSD se afirmar com espírito ganhador”. Coisa que, no seu entender, antes não fazia. Ou seja, como já não há a desculpa da guerra interna, Rio terá de concentrar tudo no ataque a António Costa.

Da sua parte, é isso que Montenegro promete vir a fazer. “A partir de agora não vou insistir nas minhas intervenções a expor as divergências, deixarei espaço à direção do PSD, e aproveitarei a minha intervenção para fazer um combate cerrado ao governo, ao primeiro-ministro e ao PS, por tudo o que tem feito ou não tem feito no país”, disse.

Sobre o futuro, Luís Montenegro não descartou um regresso no day after. “Apresentei uma disponibilidade para liderar o PSD a pensar no momento atual. Não no que fiz antes ou no que vou fazer a seguir”, disse, rejeitando as críticas de taticismo político que lhe imputam. Garantindo que no dia das eleições estará “de bandeira [do PSD] na mão, esperando que a festejar a vitória”, Montenegro deu a volta à questão sobre se nesse dia estaria ao lado de Rio deixando-lhe uma farpa: “Nunca na minha vida fiz campanha por outro partido que não o PSD e nunca estive ao lado de um candidato contra o PSD”, disse, referindo-se ao facto de Rio ter apoiado um candidato que não o do PSD nas eleições para a câmara do Porto em 2013.

Apesar de tudo, Montenegro não admitiu a vitória de Rio na longa noite de ontem. No seu entender, apenas o PSD saiu vencedor. “Podemos andar à procura de vencedores e vencidos mas o único que verdadeiramente saiu vencedor foi o PSD”, afirmou. E perante a insistência dos jornalistas sobre se iria candidatar-se à liderança do PSD caso Rui Rio tivesse um mau resultado nas eleições, Luís Montenegro não rejeitou esse cenário: “Falamos no dia das eleições”. O encontro ficou marcado.