O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, afirmou na noite de quarta-feira o seu pleno respeito “à vontade inequívoca” mostrada pelo povo da Venezuela e disse esperar que Nicolas Maduro “compreenda que o seu tempo acabou”.

“Apelamos para eleições livres, para que Maduro compreenda que o seu tempo acabou, porque não pode ignorar a vontade do povo e a Assembleia Nacional tem de ser respeitada”, disse o ministro à Lusa.

Santos Silva acrescentou “subscrever inteiramente” a declaração da chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, “preparada entre Estados-membros”, que renova o “apelo para que não haja violência e que seja plenamente respeitada a vontade inequivocamente manifestada hoje pelo povo venezuelano para a realização de eleições livres e justas”.

O comentário de Santos Silva já mereceu uma reação sarcástica por parte do social-democrata Paulo Rangel. “Ainda é cedo. Mas são agora tantos os que descobriram a ditadura venezuelana… Embora preocupado com a evolução da situação e os cidadãos portugueses e não só, vejo com alívio que são cada vez mais os que acham que o tempo de Maduro acabou. Até o Ministro Santos Silva.”

Nas últimas horas vários governantes mundiais já vieram demonstrar publicamente a sua posição em relação aos acontecimentos na Venezuela.

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Horas antes, o chefe da diplomacia portuguesa, Augusto Santos Silva, já tinha dito, em Madrid, que a sua “prioridade” é garantir a “segurança física” dos portugueses que vivem na Venezuela, esperando que as manifestações neste país sejam “pacíficas”.

“Respeito a decisão dos outros países […], mas a segurança física dos portugueses que vivem na Venezuela é a prioridade número um” da diplomacia portuguesa, disse Augusto Santos Silva, numa conferência de imprensa acompanhado pelo chefe da diplomacia espanhola, Josep Borrell.

Santos Silva explicou que Lisboa tem “um elemento nacional” específico quando se trata do relacionamento com a Venezuela, que é o facto de haver cerca de 300.000 portugueses ou lusodescendentes nesse país, sendo essa a sua “primeira preocupação”, insistiu.

“Peço a todas as partes que se manifestam muito legitimamente, como é próprio das democracias, que o façam pacificamente sem pôr em causa a segurança dos bens e das pessoas”, afirmou o ministro português.