A Direção Geral de Saúde prevê “que não haja mais subidas” no número de casos de gripe diagnosticados em Portugal. Numa conferência que se realizou durante a tarde de quinta-feira, 31 de janeiro, a diretora deste organismo governamental, Graça Freitas, explicou que apesar de ainda não ser possível “perceber se estamos num pico gripal” porque ainda não houve um decréscimo no número de casos, a contabilização geral aparenta ter estagnado e está em níveis semelhantes aos de anos anteriores.

A queda das temperaturas registada nos últimos dias pode ter levado a uma maior afluência aos serviços de urgência médica mas isso, afirma Graça Freitas, não é nada de anormal para esta época do ano. Até agora foram registadas 670 mil consultas, numa média diária a rondar as 95 mil, número considerado “estável” pela DGS e que surge após o mesmo organismo ter decidido “ativar horários acrescidos em 117 centros de saúde.”

A diretora deste serviço de saúde reforçou ainda que “o aumento do número de utilizadores da linha Saúde 24” é mais uma prova “do sucesso da iniciativa” — nos últimos tempos a mesma terá sido utilizada por 46 mil pessoa, havendo uma média diária de 6 600 contactos.

O facto de não haver um “aumento da utilização do INEM” desde novembro é outro garante de que a saúde dos portugueses está a manter-se estável, mesmo tendo em conta as intempéries.

Os dados da Organização Mundial de Saúde sobre o atual panorama da gripe na Europa.

“Atividade gripal epidémica de intensidade moderada”

A gripe em Portugal atingiu na quarta semana deste ano uma taxa de incidência de 89,3 por cada 100.000 habitantes, segundo o Boletim de Vigilância Epidemiológica da Gripe esta quinta-feira divulgado.

De acordo com o boletim divulgado pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), foram reportados 23 casos de gripe pelas Unidades de Cuidados Intensivos (UCI), tendo sido identificado o vírus Influenza A em 21 doentes.

“Foram ainda reportados 11 casos de gripe pelas duas enfermarias que colaboraram na vigilância”, lê-se na informação, que dá conta de um valor médio da temperatura mínima do ar de 5,2 graus centígrados, a que corresponde “uma anomalia de +0,88 graus”, relativamente ao valor normal para o mês de janeiro.

Os valores apurados indicam uma atividade gripal epidémica de intensidade moderada. Para a mortalidade por todas as causas são apontados “valores acima do esperado”. No boletim, referem-se 50 casos de síndrome gripal e 56.021 pessoas no que diz respeito à população em observação.

Na semana anterior a taxa de incidência tinha sido de 48,8 por 100 mil habitantes, com uma descida acentuada em relação à primeira semana, na qual se registou uma taxa de incidência da gripe de 80,9 casos por 100 mil habitantes, com dois subtipos de vírus em circulação.