A ideia de jogo atravessa um conjunto de obras apresentadas pelo artista Francisco Tropa em diálogo com descobertas arqueológicas mostradas ao público pela primeira vez, numa exposição que é esta quinta-feira inaugurada, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

“O Pirgo de Chaves” dá título à exposição que esta quinta-feira foi mostrada numa visita guiada aos jornalistas pelo artista, pelo arqueólogo Sérgio Carneiro e pela diretora do Museu Gulbenkian, Penelope Curtis, começando pelo objeto que inspirou o diálogo entre todas as peças, antigas e contemporâneas.

Francisco Tropa e Sérgio Carneiro apontaram as ligações entre os objetos do século IV e as esculturas e instalações compostas por vídeo, estruturas geométricas em madeira, um esqueleto em bronze, panos, caixas e pedras.

“A ideia de jogo é algo que acompanha o meu trabalho desde o início”, sublinhou Francisco Tropa, justificando a ligação ao pirgo, uma torre de bronze onde eram colocados dados para serem lançados de forma a que os jogadores não fizessem batota.

O pirgo – que no interior possui degraus que fazem com que os dados rolem aleatoriamente – foi encontrado durante escavações em Chaves, juntamente com dois dados, perto de dois esqueletos de um casal que jogava tranquilamente ao lado de uma das piscinas das termas romanas locais, quando foram surpreendidos por um tremor de terra, e ficaram soterrados.

Sérgio Carneiro, por seu turno, falou de uma colaboração “de muitos anos” com o artista, depois de, em 2006, ter iniciado as escavações nas termas romanas Aquae Flaviae.

“Na época, as termas tinham uma função muito importante por causa do seu caráter terapêutico”, recordou, acrescentando que o conjunto edificado foi encontrado em muito bom estado, durante as escavações.

Além destes objetos, a exposição apresenta ainda parte de um tabuleiro de jogo em tijolo, peças de jogo, moedas, uma caixa e um anel para selar.

Inspirado neste conjunto, Francisco Tropa reuniu várias peças escultóricas em instalações, realizadas ao longo da última década e também no último ano, abordando as noções de tempo e origem, história e acaso, corpo, jogo e morte.

“Interessa-me apresentar obras que não estão fixas, e que podem ser sempre mudadas na sua apresentação”, assinalou, acrescentando que o movimento é uma das ideias que lhe diz muito.

Francisco Tropa, nascido em 1968, iniciou o seu percurso artístico nos anos de 1990, e conta com participações na Bienal de Veneza (2011), Bienal de Istambul (2011), Manifesta (2000), Bienal de Melbourne (1999) e Bienal de São Paulo (1998).

Esta é uma exposição repleta de ideais muito simples e antigas num mundo que é cada vez mais completo e cheio de imagens”, disse o artista sobre o seu trabalho.

A exposição “O Pirgo de Chaves”, com curadoria de Sérgio Carneiro e Penelope Curtis, é inaugurada esta quinta-feira, às 18h30, e abre ao público na sexta-feira, ficando patente até 3 de junho na Fundação Calouste Gulbenkian.