O presidente do Governo da Madeira alertou este sábado para o problema das notícias falsas que, no seu entender, servem para enganar pessoas e desestabilizar a sociedade, visando atingir objetivos políticos que podem por em causa a democracia.

“Muita gente no nosso país, na Madeira, está muito absorvida com falsas notícias, com a manipulação da informação, tendo em vista objetivos muitas vezes perversos para as sociedades”, disse Miguel Albuquerque.

O governante madeirense falava na inauguração das obras de requalificação da rede que abastece os sítios do Folhadal, Gambão e Ribeira Tem-Te Não Caias, naquela freguesia, no concelho de Machico, no norte da ilha da Madeira.

O chefe do executivo insular falou do perigo das denominadas ‘fake news’, argumentando que “são falsos factos criados nas redes sociais para enganar as pessoas, para induzir em situações de emocionalidade suprema, para dramatizar muitas questões que não são dramáticas”.

No seu entender, estas servem “sobretudo para garantir que, através dos extremismos, a sociedade seja desestabilizada e sejam alcançados objetivos políticos”.

Miguel Albuquerque sustentou ser necessário ter “apego a informação credível” e sublinhou a importância de “distinguir o que é falso do que é verdadeiro”.

“Temos que saber discernir aquilo que tem consistência, o que é real do que é irreal e inventado, porque então entraremos numa sociedade de histeria”, argumentou o líder insular, considerando este tipo de situação “os objetivos populistas das forças políticas”.

Dando como exemplo o objetivo de “paz e cooperação entre os povos”, que está subjacente à criação, há 70 anos, da União Europeia, que começa a ficar “esbatido no tempo”, Miguel Albuquerque vincou que “hoje é preciso a população estar atenta, porque não há escrúpulos, sobretudo, na utilização das redes socais”.

Na sua opinião, estes são meios utilizados para “colocar noticias falsas, distorcer os factos, inventar situações, fazer ataques a pessoas e denegrir instituições”.

As obras inauguradas constituirão um investimento na ordem de 1,5 milhões de euros, cofinanciado em 85% por fundos comunitários.

Esta intervenção contribui para a melhoria da qualidade de vida das populações locais, beneficiando no global os habitantes da freguesia e em particular os habitantes dos sítios do Gambão, Folhadal e Tem-te-Não-Cais, que não se encontravam servidos por rede pública de abastecimento de água potável.

A obra assegurou a reformulação estruturada do Sistema Adutor do Porto da Cruz, passando a reforçar a interligação das origens de água deste sistema, por forma a assegurar um melhor serviço, a melhoria da qualidade da água no inverno e a redução do número de interrupções.

Representa a concretização de um anseio de longa data da população dos sítios do Folhadal, Gambão e Tem-te-Não-Caias, da freguesia do Porto da Cruz, concelho de Machico, que era abastecida através de um sistema de abastecimento de água precário, com recurso a pequenas nascentes e que registava faltas de água frequentes.

A partir de agora, esta população fica dotada de uma rede estruturada de distribuição de água, que assegura a sua qualidade e quantidade (incluindo um sistema de combate a incêndio — marcos de incêndio).