BES

Salgado culpa Passos Coelho por declarações que tiveram “consequências negativas para o BES”

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O ex-líder do BES e do grupo GES acusa Pedro Passos Coelho de ter ajudado ao colapso do grupo financeiro com declarações em junho de 2014. Banqueiro apresentou petição em tribunal.

Ricardo Salgado remete para declarações de Passos Coelho em junho de 2014, menos de dois meses antes do colapso do BES

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

O banqueiro e ex-líder do BES e do grupo GES, Ricardo Salgado, acusou o ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho de ter ajudado a causar o colapso daquele grupo financeiro, em 2014.

De acordo com o Correio da Manhã, Ricardo Salgado apresentou uma petição no Tribunal do Comércio de Lisboa, onde contesta a falência culposa do do BES e aponta o dedo ao ex-primeiro-ministro. “Em 24 de Junho de 2014, o senhor primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, proferiu declarações públicas no sentido de que a questão da capitalização do GES era um problema, exclusivamente, deste Grupo (porque constituíam ‘problemas da área não financeira’) e, ainda, que não teria informação que o levasse a ‘temer instabilidade no setor financeiro”, lê-se na petição, citada por aquele jornal.

Em causa estão as declarações do primeiro-ministro a 24 de junho de 2014, pouco antes do colapso do BES e da criação do Novo Banco, em agosto do mesmo anos.

“As questões que respeitam a problemas de capitalização de grupos que também têm uma área financeira, como é o Grupo Espírito Santo, mas que têm muitas outras atividades não respeitam especificamente nem ao Governo nem ao supervisor da área financeira, porque são problemas de natureza não financeira”, disse o primeiro-ministro à altura. “O Grupo Espírito Santo terá com certeza, como outros grupos, os seus problemas para resolver, e o Estado não é chamado a resolver esses problemas. É apenas aquilo que eu posso dizer.”

De acordo com o banqueiro, estas declarações tiveram “consequências negativas sobre o BES”, explicitando que, entre 19 de junho (data em que o Governo recusou viabilizar empréstimos da Caixa Geral de Depósitos ao BES)  e 24 de junho (quando Pedro Passos Coelho fez aquelas declarações), as ações do BES “caíram 16%” e deu-se uma “fuga de depósitos”.

Embora diga que “do ponto de vista jurídico, não se discute o mérito da opção política” de Pedro Passos Coelho, o banqueiro sublinha ainda assim que “o que se discute, por ter um impacto com relevância jurídica, são as consequências de tais declarações públicas do senhor primeiro-ministro então em funções”.

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