O regulador da comunicação social de West Java, na Indonésia, proibiu a transmissão de várias canções pop europeias e norte-americanas. A legislação segue diretivas do governo indonésio para impedir a disseminação de “influências estrangeiras negativas” que “rebaixem a dignidade humana”. Os temas indicados pelo regulador só podem ser transmitidos entre as dez da noite e as três da manhã.

Foram banidas 17 canções que contêm letras com “pornografia e obscenidades”, de acordo com as declarações do líder do regulador, Rahmat Arifin, ao Tempo. Apesar de a transmissão diurna estar proibida por completo, Rahmat Arifin afirma que o alvo da lei não são as canções, mas apenas a letra das mesmas. O líder da comissão responsável pela escolha das canções a restringir, Dedeh Fardiah, considerou que as letras das músicas contribuíam para “objetificar as mulheres”.

Deixam de poder ser ouvidas músicas de Ariana Grande (Love Me Harder), Ed Sheeran (Shape of You), Elton John (Your Song), The Killers (Mr. Brightside), Maroon 5 (Makes Me Wonder), Bruno Mars (That’s What I Like e Versace on the Floor), Pharrel Williams (Sangria Wine), DJ Khaled (Wild Thoughts), Zayn (Dusk Till Dawn e Let Me), Marc E. Bassy (Plot Twist), Agnes Monica (Overdose), Eamon (Fuck it, I Don’t Want You Back), Machine Gun Kelly (Bad Things), 88rising (Midsummer Madness), Yellow Claw (Till It Hurts).

A letra de Love Me Harder tem referências sexuais como “Quando eu te fizer gemer saberás que é real/Sentes a pressão entre as tuas pernas?/Vou fazer-te sentir como da primeira vez”. Shape of You, de Ed Sheeran, contem temas similares (“Rapaz, não vamos falar muito/Pega na minha cintura e põe o teu corpo sobre o meu”). Serão letras como estas o alvo da censura indonésia.

West Java é a província mais populosa da Indonésia, com 48 milhões de habitantes, e uma das zonas mais conservadores do país, com uma forte influência do Partido Golkar, da direita conservadora e religiosa. A Indonésia é o maior país de maioria muçulmana do mundo: tem 264 milhões de habitantes, dos quais 225 milhões se identificam como muçulmanos. O governo do país passa regularmente leis baseadas nos fundamentos religiosos da lei Sharia, incluindo uma proposta de lei para multar os cidadãos por “comportamentos homossexuais”.