As casas são postas à venda com um valor e, realmente vendidas a um preço 22% mais baixo, diz o Público. Segundo a Confidencial Imobiliário (CI), uma entidade que estuda o mercado imobiliário, nas Áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto o diferencial de preço (gap de mercado) duplicou em relação aos anos da troika em Portugal.

Certo é que os preços das casas estão a aumentar: em dezembro do ano passado, o preço de venda das casas em Portugal continental aumentou 15,4%. O diretor do CI, Ricardo Guimarães, explicou ao Público que ”a leitura de mercado feita pelos proprietários” advém de um ”efeito de miopia”, uma vez que recorrem à informação acessível em várias plataformas de anúncios para fazer comparações.

Os proprietários querem mais — ”têm expectativas de preços desencontradas da realidade da procura efetiva”, disse Ricardo Guimarães — mas seja qual for o preço da casa, será vendida, na escritura, a menos 22% daquilo que é pedido. Aliás, no Porto, o diferencial atinge mesmo os 30%. Estes resultados são obtidos através de um estudo que compreende o valor médio de oferta que é colocada nas plataformas com que constrói o Sistema de Informação Residencial (SIR) e o valor das escrituras. Por exemplo, uma casa que seja posta à venda por 90 mil euros, pode chegar aos 70 mil e 200 euros.

Estes valores também variam consoante os anos que a habituação tem: por exemplo, quando se trata de uma casa nova, o rácio entre o valor pedido e o valor da escritura é menor, ou seja, não mostra uma diferença tão acentuada.

Mas estes valores pouco mudam o panorama imobiliário em Portugal —  o país continua a ser um dos países com subidas mais acentuadas nos preços das casas.

Portugal entre os países com maiores subidas nos preços das casas até 2020