Transportes Públicos

António Costa viu Ministro do Ambiente ao ataque na assinatura dos novos preços dos passes para Lisboa

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O Ministro do Ambiente, Matos Fernandes, criticou a postura da líder do CDS, Assunção Cristas no que toca às politicas ambientais e reclamou a paternidade da ideia da redução dos preços para o governo

MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Foi uma cerimónia capaz de por os cabelos “em pe” à Comissão Nacional de Eleições. A Estação do Oriente recebeu a iniciativa de assinatura dos novos tarifários da Área Metropolitana de Lisboa e a transferência de poderes sobre os transportes coletivos para a região. Surpreendentemente, quem esteve ao ataque foi o Ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, que deixou críticas a Assunção Cristas e recados ao PCP.

O responsável pela pasta do ambiente e da mobilidade, Matos Fernandes, não poupou nas criticas ao anterior executivo que diz “ter conduzido à perda de sete milhões de passageiros” que “o governo quer agora recuperar com esta aposta clara” na redução dos tarifários dos passes. O Ministro do Ambiente não se ficou por aqui e criticou “o oportunismo de quem nada fez quando teve responsabilidades governativas, que liberalizou a plantação de eucaliptos e na passada sexta-feira [na manifestação pelo clima] se aproveitou da luta dos estudantes”. A crítica era dirigida a Assunção Cristas que, na sexta-feira, tirou uma fotografia junto do filho e de amigos na manifestação que os estudantes convocaram em defesa do clima.

Mas o governo anterior e sobretudo a atual presidente do CDS não foram o único alvo das críticas do Ministro do Ambiente que chamou ao executivo a paternidade da ideia. respondendo assim à tentativa de Jerónimo de Sousa de tentar recolher alguns dos louros da medida. “Muitos se puseram em bicos de pés a dizer: a ideia é minha, um bocado como as candidatas a misses, que querem a paz no mundo. Quando houver paz no mundo creio que ninguém vai agradecer às misses”, disse Matos Fernandes, garantindo que “a ideia nasceu numa cimeira do governo e desculpem os outros, mas fomos mesmo nós que também pensamos a medida para o país todo”.

A abrangência nacional desta medida de apoio à redução dos preços dos passes foi aliás uma tónica nos três discursos da manhã — embora com menor relevância em Medina, que não tem responsabilidades nacionais. O Primeiro-Ministro, António Costa, frisou que esta “não é uma redução exclusivamente de Lisboa e do Porto nem das Áreas Metropolitanas” mas sim “um programa nacional a que aderiram as 23 comunidades intermunicipais”, salientando ainda “a liberdade que o governo deu para que os autarcas desenhassem a medida da forma mais conveniente, adaptando às necessidades do território”. Costa quis também recordar algumas das medidas do Plano Nacional de Investimentos, sobretudo no setor ferroviário, por terem medidas “fora das Áreas Metropolitanas”.

O chefe do executivo não esqueceu novamente a “redução de 11% de passageiros em transportes coletivos que se verificou na legislatura anterior”, frisando que “desde 2016 o aumento é já de 12%” e assumindo a redução dos tarifários como prioridade para captar mais passageiros, “tendo em conta que a redução das tarifas é superior ao aumento do Salário Mínimo Nacional nos últimos quatro anos, o que representa bem a importância desta medida nas famílias portuguesas”.

“O preço é um verdadeiro bloqueio à utilização do transporte coletivo”

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa — e esta segunda-feira também enquanto presidente da Área Metropolitana de Lisboa –, Fernando Medina, foi o primeiro a subir ao palco e, sem púlpito e acompanhado de uma apresentação no ecrã de fundo, foi o responsável por “vender” esta medida.

Para Fernando Medina, “o preço é um verdadeiro obstáculo e bloqueio à utilização dos transportes coletivos” que, “a partir de certo momento deixam de compensadores face ao transporte individual”, justificando assim a aposta na redução dos tarifários como ponto de partida para uma “revolução” nos transportes na região de Lisboa. “Este problema tem que ser enfrentado de frente e dentro da Área Metropolitana de Lisboa que é a maior do país”, disse o autarca que assumiu que o objetivo é “recuperar na próxima década o atraso das duas últimas décadas”, o que significa conquistar mais 200 mil pessoas ou 500 mil viagens por dia em transportes públicos.

O presidente da autarquia da capital destacou as iniciativas para o aumento da oferta mas disse que “essa questão tem sido a desculpa para não fazer nada”. Ainda assim, enunciou as iniciativas no Plano Nacional de Investimentos do governo, mas também as melhorias feitas pelos operadores da região no que toca ao material circulante e ainda a “integração na Área Metropolitana das funções de gestão e de autoridade do sistema de transportes” reforçando o desejo de ter “até ao final de 2019 a empresa Transportes Metropolitanos de Lisboa, que assegure e complemente esta revolução do passe único”.

Na cerimónia estiveram presentes, para além do Primeiro-Ministro, António Costa, do Ministro do Ambiente e da Transição Energética, Matos Fernandes e do presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, o Ministro do Planeamento e da Habitação, Pedro Nuno Santos, o Secretário de Estado do Tesouro, João Novo e ainda outros membros do executivo que trabalharam em conjunto com as autarquias e a Área Metropolitana. Na assinatura dos contratos dos novos tarifários estiveram também os autarcas dos 18 municípios envolvidos, tendo faltado apenas os presidente das autarquias de Cascais, Mafra e Sintra. Com a chamada de todos os membros do executivo e ainda do presidente da Área Metropolitana do Porto — Eduardo Vítor Rodrigues –, o palco ficou pequeno para a tradicional foto de família.

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