Portugal está a realizar um levantamento das capacidades de apoio a Moçambique, após a passagem do ciclone Idai, disse esta terça-feira o ministro dos Negócios Estrangeiros, afirmando que o país estará “na linha da frente do apoio internacional” àquele país africano.

Estamos a fazer este levamento de capacidades nossas para que, logo que o Governo moçambicano peça apoio, ele poder ser imediatamente prestado por Portugal”, declarou Augusto Santos Silva aos jornalistas, no final da reunião da Concertação Social, que abordou nomeadamente a questão da saída do Reino Unido da União Europeia (‘Brexit’).

O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, disse que o ciclone Idai poderá ter provocado mais de mil mortos em Moçambique, estando confirmados atualmente 84. Estimativas iniciais do Governo de Moçambique apontam para 600 mil pessoas afetadas, incluindo 260 mil crianças.

“As autoridades moçambicanas estão a fazer um primeiro levantamento e nós próprios aqui, já o fizemos ontem [segunda-feira] e continuaremos hoje [terça-feira, 19], entre vários ministérios, a reunir uma primeira lista de apoios possíveis que Portugal pode fazer na situação de emergência que Moçambique vive, seja do lado dos instrumentos da nossa Proteção Civil, seja do lado da nossa emergência médica, seja do lado das Forças Armadas, dos meios de resposta que lhes são próprios para situação de catástrofe, seja do lado da nossa cooperação”, disse.

Santos Silva referiu que a sociedade civil também já se mobilizou para ajudar os moçambicanos, tendo já “apoios humanitários, financeiros e humanos” disponíveis.

“Depois, temos os planos de reconstrução, para os quais ainda temos tempo, mas que também é importante. Portugal estará na linha da frente do apoio internacional humanitário e técnico a Moçambique nesta hora muito difícil”, declarou ainda.

O ministro também referiu que não há registo, até ao momento, “de perdas de vida ou feridos entre os mais de 2.000 portugueses que vivem na cidade da Beira e na sua zona envolvente”.

Não temos registo também de que haja portugueses entre aqueles, que ainda são bastantes, que se encontram numa situação de perigo de vida porque estão em zonas de muito perigo”, indicou.

“Infelizmente, temos registo de várias dezenas de portugueses que perderam as suas casas e os seus bens e que estão agora em soluções de emergência e que são apoiados por nós”, sublinhou ainda.

Santos Silva disse que uma equipa avançada da embaixada em Maputo, que está a trabalhar como o consulado na Beira, “fez um primeiro levantamento da situação da situação dos portugueses, quer do ponto de vista pessoal, quer do ponto de vista dos seus bens”.

O ministro lembrou que o secretário de Estado das Comunidades, José Luís Carneiro, parte ainda esta terça-feira para Moçambique “para assistir no terreno à resposta da parte dos nossos serviços consulares e apoio à comunidade”.

José Luís Carneiro ficou encarregado pelo Governo português de avaliar com as autoridades moçambicanas quais são as primeiras necessidades a serem supridas.

Santos Silva também disse que a autoridades portuguesas estão a realizar um trabalho exaustivo junto da comunidade, entrando em contacto com os portugueses e “varrendo” uma série de hospitais e outras instituições para verificar se há vítimas nacionais.

“Há dezenas de mortos confirmados, há muitos milhares de pessoas em situação difícil e a dimensão da catástrofe é brutal. Infelizmente, as previsões meteorológicas não são positivas e, portanto, pode haver mais inundações naquela área”, lamentou o ministro.

Entidades públicas e privadas intensificam mobilização de ajuda

Em Moçambique são várias as entidades públicas e privadas que estão a mobilizar apoios para as vítimas do ciclone Idai, no centro de Moçambique, pedindo essencialmente produtos não perecíveis e de higiene.

A MPDC, empresa gestora do porto de Maputo, revelou também esta terça-feira que está a receber bens doados para serem transportados por via marítima para o centro do país, onde serão distribuídos pelas vítimas do ciclone.

Produtos alimentares e de higiene, cobertores, roupa e calçado, bem como utensílios domésticos são os bens de maior necessidade para a emergência que se vive no centro do país, segundo a MPDC.

A passagem do ciclone Idai em Moçambique, Maláui e Zimbabué provocou pelo menos 222 mortos, segundo balanços provisórios divulgados pelos respetivos governos na segunda-feira.

Mais de 1,5 milhões de pessoas foram afetadas pela tempestade naqueles três países africanos.

O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, disse que o ciclone poderá ter provocado mais de mil mortos em Moçambique, estando confirmados atualmente 84.

O consulado-geral de Portugal em Maputo apelou à solidariedade para com as vítimas da tempestade no centro, indicando um espaço onde, a partir de quinta-feira, podem ser doados bens destinados à assistência humanitária.

No comunicado é apontada a necessidade de bens de maior necessidade farinha, arroz, óleo, açúcar e feijão, produtos para tratamento de água, lençóis, mantas e redes mosquiteiras.

A empresa Hidroelétrica de Cahora Bassa (HCB) anunciou hoje um apoio monetário no valor de quatro milhões de meticais (56 mil euros) para a assistência humanitária às vítimas do ciclone.

A bancada parlamentar da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder, anunciou uma doação de pouco mais de 400 mil meticais (5.600 euros) a favor das vítimas do ciclone

O Idai, com fortes chuvas e ventos de até 170 quilómetros por hora, atingiu a Beira (centro de Moçambique) na quinta-feira à noite, deixando os cerca de 500 mil residentes na segunda maior cidade do país sem energia e linhas de comunicação.

Estimativas iniciais do Governo de Maputo apontam para 600 mil pessoas afetadas, incluindo 260 mil crianças.

O Governo português anunciou, na segunda-feira, não ter registo de “cidadãos portugueses mortos, feridos ou em situação de perigo” nas zonas afetadas pela tempestade, mas “várias dezenas perderam casas e bens”.

CPLP pede concertação de esforços lusófonos no apoio a Moçambique

Também o secretariado-executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) apelou esta terça-feira para a concertação de esforços dos países da organização no apoio às populações afetadas pelo ciclone.

Segundo a organização, o secretário-executivo, Francisco Ribeiro Telles, “está em contacto” com a Presidência cabo-verdiana da CPLP, “no sentido de se concertarem esforços” dos nove Estados-membros para a “ajuda e assistência às populações afetadas”.

De acordo com a mesma nota, Ribeiro Telles transmitiu às autoridades moçambicanas “profundo pesar pela situação verificada nas regiões do centro e do norte de Moçambique” e manifestou “a sua solidariedade para com o povo moçambicano”.

A CPLP é constituída por nove países: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.

Cabo Verde assume atualmente e por dois anos a presidência rotativa da organização.