RTP

Federação Portuguesa de Futebol põe fim a acordo com a RTP

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A Federação Portuguesa de Futebol e a RTP decidiram cancelar a parceria que tinham firmado em janeiro. O acordo era contestado desde o inicio pela Comissão de Trabalhadores da televisão pública.

João Relvas/LUSA

A Federação Portuguesa de Futebol pôs fim ao acordo que tinha firmado com a RTP. A informação foi confirmada ao Observador por fonte oficial da FPF. O acordo para cedência de conteúdos era contestado desde o inicio pela Comissão de Trabalhadores da RTP, devido à situação do jornalista Carlos Daniel.

A FPF e RTP tinham firmado um acordo em janeiro deste ano que visava o “desenvolvimento, a promoção e a partilha de conteúdos sobre o desporto português, nomeadamente o futebol”, mas a federação entende que o espírito e os objetivos do memorando não têm sido compreendidos. O acordo previa a partilha de direitos, meios e recursos, bem como o acesso aos arquivos de ambas as entidades, até 2022.

O acordo era contestado desde o início pela da Comissão de Trabalhadores da RTP, que entretanto já pediu a demissão da administração (ver em baixo) por causa da parte que dizia respeito à situação de Carlos Daniel. O jornalista abandonou a televisão pública no ano passado, mas manteve o vínculo à RTP, apesar de estar ao serviço da FPF como diretor de conteúdos do canal da federação.

O canal 11 é lançado pela Federação Portuguesa de Futebol em maio. Estará disponível nas três principais operadoras portuguesas: NOS, Altice e Vodafone. Nuno Santos vai ser o diretor do canal, que tem já na equipa outros nomes como Jaime Cravo (ex-SportTV), Pedro Sousa (TVI), Andreia Sofia Matos e Sara Freitas.

A RTP é atualmente a responsável pela transmissão dos jogos das seleções nacionais masculina e feminina, da Taça de Portugal e da Supertaça Cândido de Oliveira, além do campeonato nacional de futsal e, pela parceria agora cancelada, teria prioridade na escolha dos conteúdos.

No debate quinzenal desta terça-feira, no parlamento, a líder do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, criticou o acordo entre as duas entidades, acusando a RTP de estar a “criar um canal concorrente a si própria”. Em resposta, António Costa também criticou a parceria, que foi desfeita enquanto o primeiro-ministro falava.

Governo “vê com bons olhos” fim do acordo

O ministro da Educação afirmou horas depois do debate quinzenal desta terça-feira que o “Governo vê com bons olhos” o término do acordo assinado entre a RTP e a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) para a cedência de arquivo, instalações e até pessoal.

“O Governo vê com bons olhos a FPF ter dado por terminado o acordo com a RTP e parece-nos que era o mais sensato na presente situação. Agora, a RTP dará, certamente, resposta às relevantes questões enviadas em carta pelos ministros das Finanças e Cultura a que o primeiro-ministro se referiu no debate quinzenal. Por isso, neste momento, aguardamos”, disse Tiago Brandão Rodrigues, questionado pela agência Lusa.

RTP vai “manter relação de cooperação”

Também à Agência Lusa, estação pública diz que “manterá a sua relação de cooperação com a FPF, existente há décadas, colaborando em projetos que promovam as competições nacionais e as várias seleções portuguesas no nosso país e junto das comunidades emigrantes, no cumprimento das suas obrigações de serviço público”.

A televisão pública confirmou que foi a Federação Portuguesa de Futebol a pôr fim ao acordo entre as duas entidades, apesar da “cooperação histórica e que visa o desenvolvimento do desporto português, nomeadamente o futebol”.

Comissão de Trabalhadores da RTP pede demissão da administração

A Comissão de Trabalhadores (CT) da RTP publicou na noite desta terça-feira um comunicado a reagir ao fim do acordo, onde pede a demissão da administração liderada por Gonçalo Reis. No comunicado, a CT questiona se tanto o Conselho de Administração como o Conselho Geral Independente têm condições para continuar em funções.

A missiva denuncia ainda a permuta de imagens de arquivo que, “preços de tabela, poderia atingir um valor de mais de 17 milhões de euros” ou “a cedência de trabalhadores da RTP à FPF por iniciativa da segunda, sem definir qualquer enquadramento legal” ou ainda a cedência de instalações do Centro de Produção do Norte ” para o funcionamento de um canal privado”.

A Comissão de Trabalhadores criticou o acordo desde o inicio, por revelar “uma completa falta de noção do que é, e a para que serve um serviço público de rádio e televisão”.

Atualizado às 19h30 com reação do governo através do Ministro da Educação — que tem a tutela do desporto, Tiago Brandão Rodrigues e às 20h com a reação da RTP. Atualizado novamente às 23h40 com o comunicado da Comissão de Trabalhadores da RTP. 

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