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Volvo

Abaixo o álcool, drogas, velocidade e distracção

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A Volvo não quer que ninguém morra, ou fique gravemente ferido, a bordo dos seus veículos. Daí que tenha pedido ajuda à EVA para tratar do assunto e apontou armas a tudo o que provoca acidentes.

O construtor sueco sempre teve uma paixão por segurança, concentrando investimentos nesta área que levaram a uma série de inovações que ficaram para a história. A começar pela invenção do cinto de segurança de três pontos de fixação, cuja patente tornou pública, o que permitiu que seja equipamento de série em todos os veículos do mundo.

Apostado em garantir que, a partir de 2020, ninguém vai morrer ou ficar ferido com gravidade num Volvo, o fabricante sueco anunciou há cerca de um mês que iria reduzir artificialmente a velocidade dos seus veículos novos a 180 km/h, para agora, quando comemora o 60º aniversário da introdução do “seu” cinto de segurança, lançar uma série de iniciativas que têm como finalidade a redução dos acidentes graves, mortais ou não. Isto apesar do Eurostat afirmar que caminhamos há muito no bom sentido, uma vez que nos últimos 10 anos o número de fatalidades europeias em acidentes rodoviários caiu 40%, fixando-se nas 50,6 mortes por milhão de habitantes.

Abaixo o álcool e as drogas

Se bem que não existam dados concretos sobre a causa dos acidentes que vitimam mais gente nas estradas europeias, recolhidos por Bruxelas, a Volvo está convencida que o abuso de bebidas alcoólicas e consumo de substâncias proibidas está por detrás de uma série considerável de fatalidades. Com os técnicos do construtor sueco a garantirem que recolhem dados dos acidentes com os seus veículos (sobretudo no seu país de origem) há mais de 40 anos – cujos elementos se preparam para partilhar com toda a indústria automóvel, para o bem comum –, o que lhes permite apontar o dedo a este tipo de causas.

Para controlar os condutores drogados ou bêbados, a Volvo está a desenvolver um sistema de câmaras que analisam os olhos de quem vai ao volante, bem como os movimentos que realizam com a cabeça e a condução errática. O objectivo é determinar se o condutor continua em condições de continuar ao volante e, caso o sistema decida que não, intervir no sentido de evitar um acidente grave.

O início deste processo começa com um aviso ao condutor (sonoro e através de uma mensagem no painel de instrumentos) que, se não responder de forma satisfatória, pode levar a que o veículo reduza a velocidade e encoste na berma da estrada.

Tivemos oportunidade de conversar com Lotta Jakobsson, a responsável pelo centro de segurança da Volvo e conceituada especialista da área. Jakobsson começou por revelar que continuam a desenvolver o sistema e ainda não concluíram quantas câmaras necessitam para garantir o pretendido controlo das funções do condutor, com o objectivo a ser minimizar os custos sem comprometer a eficácia, para o que sistema não seja demasiado oneroso, uma vez que a pretensão é incluí-lo no equipamento de série.

Quanto às nossas dúvidas no que respeita às limitações legais do sistema, a técnica sueca admitiu que em alguns países poderá ser um problema decidir à distância que o condutor não está em condições de prosseguir viagem. Ficámos contudo com a ideia que o ideal para o construtor era que Bruxelas abraçasse e impusesse legalmente a solução, que depois seria adoptada pelos restantes fabricantes, à semelhança do que aconteceu com o cinto de segurança.

Fim das distrações

Outra das principais causas dos acidentes graves, segundo a Volvo, tem a ver com as crescentes distrações a que os condutores estão expostos, de falar ao telefone, mesmo em mãos livres, a enviar mensagens, passando por atender os filhos pequenos ou falar com os amigos. Tudo isto vai passar a ser controlado pelas câmaras de que falámos atrás, que vão ainda analisar a postura de quem está ao volante, detectando as situações em que o movimento do volante vai sendo reduzido, ou o corpo se vai afundando no assento.

O mapa com os diferentes sucessos da Volvo no capítulo da segurança

Ao mínimo sinal de cansaço, ou falta de atenção na estrada, ou em tudo o que rodeia o veículo, o sistema aconselha o condutor a concentrar-se na condução, ou a parar por uns instantes. Mas mais do que isto, avisa-o se a distância para o carro da frente ameaça a segurança, ou se um peão ameaça atravessar a rua à sua frente.

Idealmente, este novo sistema tem um maior potencial de intervenção caso trabalhe em colaboração com o sistema de detecção de peões ou de veículos, o que inclui a travagem de emergência e o radar do cruise control adaptativo.

Velocidade máxima, mas com calma

O desejo de limitar a velocidade máxima dos modelos da marca a 180 km/h, mesmo os mais potentes, é uma das decisões mais emblemáticas, apesar da a marca admitir que não foi bem aceite pela totalidade dos clientes. Contudo, recordam os suecos, tiveram o mesmo tipo de reacções negativas quando passaram a equipar os seus modelos com os cintos de segurança.

Confrontámos Lotta Jakobsson com o (muito) reduzido número de acidentes provocados por veículos a circular a mais de 180 km/h, com a especialista em acidentes a especificar que a limitação de velocidade é mais um sinal que os fabricantes devem transmitir aos seus clientes, do que uma solução para todos os males.

O objectivo da Volvo é claro. Se o comportamento do condutor apontar para excesso de álcool ou droga, o carro vai ser obrigado a parar

Questionámos ainda a técnica da Volvo sobre a posição da sua empresa, quando Bruxelas decidir avançar com a obrigatoriedade do dispositivo conhecido como Intelligent Speed Adaptation, que pretende levar o veículo a recolher os limites de velocidade para determinada via ou local, e impedir que sejam ultrapassados pelo condutor. E a resposta, “obviamente positiva” não se fez esperar.

EVA para defender as mulheres

Afirma a Volvo que os dummies, os manequins utilizados durante os crash-tests, cujos sensores permitem determinar os esforços a que o ser humano estaria sujeito naquela situação, são dimensionados para representar os homens. Isto, segundo Jakobsson, faz com que as mulheres, mais frágeis em termos ósseos e com menor massa muscular, estejam expostas a esforços superiores, resultando em maiores danos do que os homens, perante o mesmo tipo de acidente. E isto originou o programa E.V.A., de Equal Vehicles for All, ou seja, protecção igual para todos. Isto passa pelo desenvolvimento de dummies com sensores calibrados especificamente para as características das mulheres, como o que pode ver nas fotos.

Sem pretender contestar as conclusões da marca sueca, inquirimos a especialista em segurança se os idosos não eram ainda mais prejudicados pelos resultados dos crash-tests. Com Jakobsson a confirmar que a diferença entre homens e mulheres é inferior à que existe em relação aos idosos, mas admitindo que, para já, ultrapassar essa diferença não é exequível.

Chaves sob medida

A Volvo já tinha criado no passado a Red Key, uma chave destinada a ser entregue na oficina ou nas empresas de lavagens, para que os mecânicos ou funcionários não pudessem ultrapassar, por exemplo, 30 km/h com o veículo que lhes havia sido confiado. Agora a marca sueca vai mais longe com a Care Key, cujo maior argumento é ser programável, à medida das necessidades.

O objectivo é, através da aplicação da marca, programar cada uma das chaves do modelo, de modo a poder entregar ao filho recém-encartado uma que o impeça de ultrapassar os 100 km/h. Caso o petiz revele os dotes de condução de um Lewis Hamilton, então o céu poderá ser o limite, com a sua chave a ser programada sem limite de velocidade.

É uma solução simples e barata, que se pode revelar eficaz se o objectivo for evitar abusos. O que vai ao encontro aos interesses da Volvo, que pretende evitar que se morra ao volante, o que não a impede de aceitar que não há panaceias milagrosas para atingir este objectivo. Apenas uma série de soluções que, todas juntas, poderão ajudar a conseguir esta finalidade. Ou, pelo menos, tentar.

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