Cerca de três centenas de alunos do ensino secundário estão a manifestar-se esta quarta-feira nas ruas de Lisboa, em direção à residência oficial do primeiro-ministro, António Costa, a quem vão pedir melhores condições de ensino e obras nas escolas.

Alunos de várias escolas da cidade de Lisboa concentraram-se cerca das 10h30 na rotunda do Marquês de Pombal, tendo descido a avenida da Liberdade e passado pelo Largo Camões, rumo ao parlamento, gritando palavras de ordem para exigir que o Governo avance com “as promessas feitas”.

Queremos que as obras nas escolas comecem já. O Ministério (da Educação) prometeu, mas não cumpriu, as escolas estão degradadas, estamos fartos de promessas”, disse à agência Lusa, Laura Teodoro, 19 anos, aluna da Escola Secundária de Camões, de onde partiu a iniciativa desta quarta-feira de os estudantes saírem à rua em protesto.

Simão Bento, presidente da Associação de Estudantes do Liceu Camões e um dos alunos que hoje lidera a manifestação, resumiu à Lusa as principais razões do protesto: menos alunos por turma, fim dos exames nacionais e mais funcionários nas escolas, que garantam melhores serviços no bar, papelaria e cantina.

Os estudantes vão deixar na residência do primeiro-ministro um apelo por “uma escola pública gratuita e de qualidade”, que foi assinado por alunos de escolas de norte a sul do país, que não conseguiram estar presentes  na manifestação, mas apoiam a causa, segundo explicou Simão Bento.

“Por acaso nunca me caiu um bocado de teto na cabeça…”, desabafou Carolina Marreiros, aluna da Escola Secundária Camões, lembrando que “já caiu telhado” e que todos os invernos os alunos têm de levar mantas para se proteger do frio nas salas de aulas.

O Ministério da Educação anunciou recentemente que as obras no antigo Liceu Camões foram adjudicadas estando para breve o arranque dos trabalhos de requalificação do edifício centenário. “Andamos a ouvir isso há muitos anos. São promessas e mais promessas que nunca se cumprem. Agora, só quando virmos as obras começar é que vamos parar”, disse à Lusa a jovem estudante.

É também a falta de condições da sua escola que levou Isaac Cardoso a participar hoje no protesto juntamente com dezenas de colegas. “Há nove anos que não temos um sítio para comer e temos de comer no chão. A escola só tem seis micro-ondas e por isso a maioria de nós come a comida fria”, contou o estudante da Escola Artística António Arroio, em Lisboa.

“Fartos de comer no chão” e “As obras não eram em 2009?” foram duas das mensagens dos cartazes que os alunos da António Arroio levaram para a manifestação. Além da cantina, falta uma biblioteca, um auditório e “não há dinheiro para investir nos equipamentos necessários para as oficinas”, lembrou Isaac Cardoso. “O Governo acha que nós somos apenas jovens rebeldes que querem faltar às aulas mas isso não é verdade”, afirmou o estudante.

Tomás Cardoso, da associação de estudantes da escola artística, lembrou ainda a falta de funcionários. “Temos uma funcionária por piso, se ela falta não há aulas nesse andar”, disse Tomás Cardoso, acrescentando que o mesmo acontece quando as únicas funcionárias do bar ou da papelaria não podem ir trabalhar: Os serviços são encerrados.

Mas também há problemas nos dias em que os trabalhadores estão presentes: “Só há uma pessoa na papelaria e por isso há sempre filas gigantes e, muitas vezes, não dá para comprar o material a tempo”. A falta de funcionários é um problema sentido em muitas escolas — num inquérito feito este ano, 83% dos diretores das escolas queixaram-se da falta de funcionários.