Cinema

Campa do histórico cineasta Georges Méliès vai ser restaurada por crowdfunding

A campa do realizador francês Georges Méliès tem-se degradado desde o funeral do cineasta em 1938. Agora a família pede a ajuda do público para pagar pelas reparações.

Georges Méliès (à esquerda) no seu filme "Le papillon fantastique", de 1909

Hulton Archive/Getty Images

Com a ajuda do público, os descendentes do cineasta francês Georges Méliès esperam conseguir juntar 40 mil euros para recuperar a campa de um dos pioneiros dos efeitos especiais, da ficção científica e do cinema como um todo. O crowdfunding vai estar aberto a donativos de 26 de março a 18 de abril de 2019.

“Este projeto é o início de muito mais. Eu quero torná-lo conhecida por uma audiência muito mais vasta”, admite ao The Guardian a trineta de Méliès e responsável pelo projeto, Pauline Duclaud-Lacoste. Recuperar a campa de Méliès serve como alavanca para dar uma segunda vida ao trabalho de um dos pioneiro do cinema francês: “Eu vejo-o em muitas obras, artigos e livros diferentes. Ele continua muito presente, realmente vivo. O meu trabalho durante os próximos 40 anos é preservar o legado de Georges Méliès e ligá-lo à modernidade“.

A curto prazo, o crowdfunding tem realmente o propósito prático de recuperar a campa do cineasta, manchada pelo verde da humidade, com as letras desgastadas e pouco visíveis e o busto de bronze de Méliès (instalado em 1954) visivelmente oxidado. Alguns dos pilares em metal instalados em volta da campa em 1938, quando foi enterrado o cineasta, acabaram entretanto por ser também roubados.

Mesmo degradada, a campa de Méliès é uma atração para fãs de cinema, que visitam às centenas o local, como explica Pauline Duclaud-Lacoste: “Quando lá vou vejo cartas, desenhos, bilhetes de cinema, programas de filmes, cartões, bilhetes do metro com notas escritas em japonês, alemão, espanhol, grego, chinês… Sempre que visito é uma nova aventura”.

O cineasta francês tem tido um ressurgimento nos últimos anos, após o lançamento do filme “Hugo”, criado em 2011 por Martin Scorsese (a partir de um livro de Brian Selznick). A longa-metragem inspira-se no trabalho de Méliès, e fala explicitamente de uma das suas obras mais conhecidas — “Le Voyage dans la Lune”, criado em 1902 e restaurado a cores e com banda sonora para o Festival de Cannes em 2011.

Um especialista da Technicolor restaura um dos frames originais de “Le voyage dans la lune”, recuperado em Barcelona em 1990.

Perdeu-se a maior parte do 500 filmes produzidos por Georges Méliès entre 1896 e 1912. O próprio queimou centenas de negativos por não ter onde os arrumar ao mudar de casa em 1924. Outras fitas foram derretidas para criar matérias primas para a produção de botas para o exército francês durante a Primeira Guerra Mundial.

Georges Méliès começou como mágico. Em 1912 desistiu do cinema, com problemas financeiros, e criou um negócio de venda de brinquedos. O imaginário do cineasta francês é marcado por truques e ilusões, jogos de imagem que usam a cor (pintada nos fotogramas à mão) para desenvolver imagens impossíveis.

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