Presidente da República

Presidente da República vai receber lesados do BES para “ver o que é possível fazer”

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O Presidente da República disse que vai receber o grupo de lesados do BES/Novo Banco que recusou a solução encontrada pela maioria dos clientes daquela instituição para "ver o que é possível fazer".

FERNANDO VELUDO/LUSA

O Presidente da República disse que vai receber o grupo de lesados do BES/Novo Banco que recusou a solução encontrada pela maioria dos clientes daquela instituição para “ver o que é possível fazer”.

Vou recebê-los. Tratam-se daqueles lesados que não aceitaram o acordo. Houve um grupo que discordou da maioria dos lesados e quer encontrar uma solução diferente que a encontrada”, explicou Marcelo Rebelo de Sousa, em declarações aos jornalistas no final da cerimónia do 108.º aniversário da Universidade do Porto.

O chefe de Estado, que entrou no edifício da Universidade do Porto ao som dos gritos do grupo de lesados, afirmou que vai “ver o que é possível fazer” quanto às suas aspirações.

O Presidente da República foi recebido esta sexta-feira no Porto pelo protesto de bolseiros da Universidade do Porto, uma carta de precários da Lusa e ânimos muito exaltados de lesados do BES/Novo Banco.

Marcelo Rebelo de Sousa estava a entrar no edifício da Reitoria da Universidade do Porto, e já tinha prometido aos lesados que os receberia “em Belém”, quando o grupo de cerca de dez pessoas se agitou, empurrando a comitiva, esbracejando e gritando “Ladrões”, “Prisão” e “Basta de me manter calado”.

“Roubaram o meu dinheiro”, “Gatunos”, “Prisão imediata para esse ladrões” e “Quero o meu dinheiro” foram outras das palavras dos lesados do BES/Novo Banco, visivelmente nervosos, à entrada do chefe de Estado no edifício.

O Grupo de Lesados do BES/Novo Banco considerou na quarta-feira que a decisão do Tribunal Administrativo de Lisboa, que deu razão ao Banco de Portugal (BdP) na resolução do antigo BES, “é uma má decisão”.

António Silva, um dos líderes do movimento, garantiu à Lusa, no decurso de uma manifestação no Porto, que “o BES não precisava de ter tido aquela intervenção”, realçando ainda que o grupo “não se sente fragilizado” pela decisão.

A sentença do Tribunal Administrativo de Lisboa, a que a Lusa teve acesso, foi noticiada pelo Expresso no fim de semana e significa a primeira vitória do banco central, imerso em 400 processos que contestam as medidas tomadas na resolução do BES, uma vez que considera que a decisão do BdP de 03 de agosto de 2014 foi legal e constitucional.

A decisão daquele tribunal é, contudo, passível de recurso.

Durante uma manifestação hoje em frente ao Palácio de Cristal, o Grupo de Lesados prometeu não desistir.

“O BdP tem obrigação de proteger os depositantes e dar informação ao mercado”, disse António Silva, que atribui muitas das culpas da situação atual dos lesados ao regulador.

“Tinha obrigação de ver se as aplicações estavam credenciadas para serem vendidas ao público”, salientou.

António Silva recordou ainda que nos últimos dias têm sido conhecidos bens que estavam na esfera do grupo e que poderiam ser usados para devolver o dinheiro que estes investidores perderam, sobretudo em papel comercial.

Este grupo, que tem feito cerca de três protestos por semana, juntou-se a alguns “coletes amarelos” e ao grupo “Portugal Gente que exige Justiça” para levar a cabo a contestação, marcada no local onde estava a ocorrer uma reunião de elementos do PS. No local, cruzaram-se outros protestos, pelo direito à reforma antecipada ou por melhores condições de trabalho nas empresas.

Cerca de 34 mil particulares e entidades públicas e privadas apresentaram reclamações de créditos junto da comissão liquidatária do BES, disse fonte conhecedora do processo à Lusa. O prazo para as reclamações acabou no dia 08 de março.

Depois das reclamações de créditos apresentadas, nas próximas semanas deverá ser conhecida a listagem de créditos reconhecidos e não reconhecidos pela comissão liquidatária do BES.

O BES, tal como era conhecido, acabou em agosto de 2014, deixando milhares de pessoas lesadas devido a investimentos feitos no banco ou em empresas do Grupo Espírito Santo.

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