Perante um Herbert Diess que admitiu ter-se deslocado à apresentação anual dos resultados da Seat – ele que nunca está presente em eventos específicos para qualquer uma das marcas do Grupo Volkswagen, de que é CEO – por a marca espanhola ter sido das poucas a ultrapassar os objectivos, o CEO do fabricante de Martorell, Luca de Meo, anunciou o 6º ano consecutivo de crescimento de vendas, além do maior número de unidades entregues a clientes desde que a Seat foi fundada em 1950.

Os bons resultados da marca foram resumidos pelo seu director financeiro, o alemão Holger Kintscher, como tendo atingido 9.991 milhões de euros em 2018, um crescimento de 4,6% face ao ano anterior, o mesmo crescimento conseguido em termos de lucros depois de impostos, que rondaram os 294 milhões de euros.

Apesar destes valores positivos, num mercado europeu que continua a revelar uma certa anemia, a Seat conseguiu crescer em todos os aspectos à custa de uma nova e reforçada gama de modelos, o que explica o incremento ao nível da investigação e investimento (I&D), departamento onde foram investidos 1.223 milhões de euros, um salto positivo brutal de 27,1%, face a 2017.

Mas o número mais sumarento, pelo menos de acordo com Diess e Klintscher, tem a ver com os resultados operacionais, onde a Seat atingiu 223 milhões de euros, cimentando um incremento notável face a 2017 de 93,2%, um indicador que espelha o potencial da casa espanhola. Isto enquanto de Meo realçava que a marca é o maior empregador da Catalunha e o principal exportador espanhol, ao vender para o exterior 80% da produção da fábrica de Martorell.

China, Argélia, eléctricos baratos e mobilidade

Mas de Meo, o italiano que preside à administração da Seat, tinha muitos outros motivos de regozijo, para além das vendas, da facturação e dos lucros. A Seat, sob a sua direcção liderou o Grupo Volkswagen na incursão pela Argélia, onde detêm uma operação de CKD que produz 63.000 unidades/ano, 53.000 das quais com emblema Volkswagen.

É igualmente a marca espanhola a liderar o desenvolvimento da gama eléctrica para a China, onde irá produzir com um parceiro local. É ainda a Seat que representa os interesses do grupo alemão no mobilidade urbana eléctrica, na produção de software para as diferentes marcas do Grupo Volkswagen, através do espanhol Seat Digital Lab, e para fora do conglomerado germânico, através do recém-criado Software Development Center, virado para a partilha.

Por último, será igualmente o centro de I&D da Seat, em colaboração com os alemães da Volkswagen em Wolfsburg, que irá criar a nova plataforma para eléctricos baratos do conglomerado germânico, que poderá chamar-se MEB 0, destinada a equipar veículos abaixo dos 4 metros, com menor autonomia e preço a condizer.

Não espanta, portanto, que Luca de Meo tenha realçado, com uma ponta de orgulho, que a Seat já é a marca espanhola mais conhecida na Alemanha, e a segunda em Inglaterra, ultrapassando o Real Madrid e o Barcelona. E não vale dizer que de Meo é fã, muito provavelmente, do Juventus ou do Milan…