O Conselho Nacional de “Os Verdes” considerou este sábado que a recuperação no âmbito da saúde “ainda não é satisfatória”, depois de PSD e CDS terem passado pelo governo, lembrando que “ainda há muitos portugueses sem médico de família”.

“Falámos [no Conselho Nacional] sobre a saúde e a recuperação no âmbito da saúde, depois da passagem do PSD e do CDS pelo governo, que não é ainda satisfatória visto que há ainda muitos portugueses sem terem médico de família”, disse à Lusa a conselheira nacional e membro da comissão executiva do PEV, Mariana Silva.

E prosseguiu: “Também ficamos preocupados ao olharmos para a competição entre Serviço Nacional de Saúde (SNS) e o serviço privado”.

“O serviço de saúde privado deveria ser um complemento daquilo que o SNS não consegue dar resposta. Mas o que temos assistido é a esta competição entre o SNS e o serviço privado, o que nos preocupa”, salientou a primeira candidata do PEV na lista da CDU às próximas eleições ao Parlamento Europeu.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Da análise da situação política, “Os Verdes” reafirmaram este sábado “os avanços conseguidos na presente legislatura”, quer no plano social como no plano ambiental, realçando que “muito se deve à intervenção e persistência” do PEV.

No entanto, advertem para o facto de o Governo “começar a demorar” a assumir medidas que “deem respostas efetivas” aos problemas que “ainda subsistem”, nomeadamente no caso das listas de espera e no que respeita à falta de profissionais de saúde, que realçam: “Apesar de tudo se mantém de forma muito significativa”.

Quanto à Lei de Bases da Saúde, em discussão, o PEV exorta o Governo a “olhar para a esquerda” nesta proposta, pois afirma tratar-se da “única forma de colocar um fim na promiscuidade que está instalada entre o setor público e o setor privado”, que seja capaz de “inverter a tendência de décadas quanto ao subfinanciamento do SNS e que garanta a valorização dos profissionais de saúde”.

Mariana Silva referiu ainda que no Conselho Nacional se falou da recuperação do tempo de serviço dos professores e educadores, bem como dos outros trabalhadores da Administração Pública, nomeadamente da área da justiça, da defesa e da administração interna.

“Impõe a procura de uma solução que assegure a contagem integral do tempo de trabalho prestado, nos períodos em que a progressão na carreira esteve congelada”, disse a conselheira nacional.

Quanto aos docentes, cujo diploma do governo vai ser apreciado no Parlamento a 16 de abril, o PEV diz que se vai “empenhar e contribuir” para devolver aos professores aquilo que por direito lhes pertence, isto é, que “este tempo lhes deve ser devolvido”.

O Conselho Nacional abordou também a redução dos preços dos passes para o transporte público e reafirmam que têm de haver “mais e melhor transporte público e oferecer outras condições aos utentes”, para que se possa optar pelo transporte público e deixar o carro individual.

Sobre a barragem do Fridão, no Tâmega, o PVE afirma que o ministro do Ambiente reconhece que “ela não é necessária do ponto de vista energético” facto que reforça assim “a posição de Os Verdes”, que no início da legislatura negociaram a paragem da construção desta barragem.

“Os Verdes” dizem que o ministro “se alia à sua posição” e reafirmam que “não é necessário proceder a qualquer indemnização à EDP”, pois entendem que a empresa energética foi favorecida com a concessão da barragem do Tua.

Face à situação de seca moderada e severa que o País enfrenta e que está a ameaçar as produções agrícolas, mas também a colocar a nossa floresta ainda mais suscetível aos incêndios florestais, o PEV reclama do Governo medidas de fundo e preventivas que possam ser adaptadas a cada região e aos vários modos de produção, dando especial atenção à agricultura familiar e às produções autóctones.

Alerta também para o facto de ser necessário “colocar um travão” na expansão de produções super intensivas, que para além de “serem mais poluentes, consomem muito mais água”.