Numa decisão inédita, os Estados Unidos declararam esta segunda-feira a Guarda Revolucionária do Irão, uma divisão das forças armadas iranianas, uma organização terrorista, de acordo com informação avançada pelo The New York Times e confirmada pelo próprio presidente norte-americano, Donald Trump, em comunicado.

Esta medida irá expandir significativamente o margem e o nível da nossa pressão máxima sobre o regime iraniano. Isto deixa bem claro os riscos de fazer negócios com a Guarda Revolucionária do Irão ou oferecer apoio”, lê-se no comunicado.

Com esta decisão, os EUA reconhecem que “o Irão não é apenas um Estado patrocinador do terrorismo, mas (…) participa, financia e promove o terrorismo”. A designação de “organização terrorista” implica a aplicação de sanções, acrescentando a medidas punitivas que os EUA já tinham aplicado ao Irão, como o congelamento de ativos bancários e a proibição de empresas fazerem negócio com organizações iranianas. Esta segunda-feira, o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, pediu a todas “as empresas e bancos do mundo” para cortarem ligações financeiras com a Guarda Revolucionária Iraniana.

Há três dias que se falava da possibilidade de a admnistração Trump tomar esta medida — que uma vez tomada implica amplas sanções económicas a esta divisão das forças armadas iranianas. Nos últimos anos, Washington impôs sanções a dezenas de entidades e indivíduos ligados à Guarda Revolucionária, mas será a primeira vez que designa como grupo terrorista os militares de outro país.

A Guarda Revolucionária, criada após o triunfo da Revolução Islâmica de 1979 para proteger o novo sistema teocrático, é a organização militar mais poderosa do Irão e controla vastos sectores económicos do país.

Irão já tinha ameaçado retaliar se EUA fizessem “uma jogada tão estúpida”

A Guarda Revolucionária e o Parlamento iranianos já tinham avisado os Estados Unidos este domingo de que adotariam represálias se Washington incluísse esta força militar de elite iraniana na sua lista de grupos terroristas.

Se os norte-americanos fizerem uma jogada tão estúpida e puserem em perigo a nossa segurança nacional, aplicaremos medidas recíprocas”, sublinhou o comandante da Guarda Revolucionária do Irão, Mohamad Ali Yafari.

O general garantiu que, se os Estados Unidos declararem a Guarda Revolucionária como grupo terrorista, o Exército e as forças de segurança norte-americanas “não experimentarão paz no Médio Oriente“, segundo a televisão estatal iraniana.

Por seu lado, o Parlamento iraniano anunciou horas antes que elaborou um projeto de lei para colocar o Exército norte-americano na lista de grupos terroristas, como “medida de reciprocidade”, caso Washington tome essa medida contra a Guarda Revolucionária. O projeto de lei colocará “os militares dos Estados Unidos ao lado do Estado Islâmico na lista de grupos terroristas” do Irão, disse o presidente da Comissão de Segurança Nacional e Política Externa do Parlamento iraniano, Heshmatolah Falahatpisheh.

O deputado defendeu também a Guarda Revolucionária salientando que tiveram “um grande papel na luta contra o terrorismo”, ao terem enviado conselheiros militares para a Síria e o Iraque. “Os Estados Unidos, ao incluírem o nome da Guarda Revolucionária na lista dos grupos terroristas, praticamente está a ajudar os terroristas”, sustentou Falahatpisheh.

Ministro do Irão quer que tropas dos EUA sejam consideradas “terroristas”

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Mohammad Javad Zarif, pediu ao Presidente do país para classificar as forças norte-americanas que operam no Médio Oriente, na Ásia Central e no Corno de África como “terroristas”.

O ministro escreveu uma carta ao Presidente iraniano Hassan Rohani, expondo a sua posição, após o anúncio da decisão dos Estados Unidos de colocar a Guarda Revolucionária Iraniana, uma divisão especial das Forças Armadas do Irão, na “lista das organizações terroristas estrangeiras”.