Saúde

Na última década quase 65 mil crianças foram sinalizadas como estando em risco de maus-tratos

Os dados são da rede dos Núcleos de Apoio a Crianças e Jovens em Risco que tem 269 unidades espalhadas por hospitais do SNS. Negligência e maus-tratos psicológicos são as agressões mais comuns.

Giuda90/Getty Images/iStockphoto

Quase 65 mil crianças e jovens sinalizados e acompanhados por estarem em risco ou serem vítimas de maus-tratos: é esta a contabilização da rede de Núcleos de Apoio a Crianças e Jovens em Risco (NACJR), unidade que se encontra presente na grande maioria dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e que o jornal Público dá a conhecer na sua edição desta segunda-feira.

Negligência e maus-tratos psicológicos são os dois tipos de agressão mais reportados junto desta rede que foi criada em 2008 e já conta com 269 núcleos espalhados pelo país. Segundo os últimos dados, 2016 foi o ano com mais sinalizações: 9.034 casos. Em 2017 houve uma redução — foram 8.670 — valor em linha com o número registado em 2015.

“À semelhança do acontecido em todos os anos anteriores estudados, a ‘negligência’ constitui o mau trato prevalecente, correspondendo a cerca de dois terços do total de registos”, lê-se no último relatório da Comissão de Acompanhamento da Acção de Saúde para Crianças e Jovens em Risco, da Direcção-geral da Saúde, que apresenta dados de 2016 e 2017. Em 2016 as negligências corresponderam a 67% das sinalizações e no ano seguinte a 62%.

Englobando fatores como “carências de higiene” ou falta de “seguimento de uma doença crónica diagnosticada”, explica Vasco Prazeres (coordenador da comissão de acompanhamento), aquilo que se enquadra na definição de “negligência” pode também incluir “sinais de uma alimentação descuidada ou falta de rotinas estabelecidas: sem horas para ir para a cama, come quando calha”.

O segundo tipo de sinalização mais comum, o mau trato psicológico, representou em 2016 cerca de 21% de todos os casos identificados, subindo para 27% em 2017. O relatório citado pelo Público explica que esta forma de violência tem aumentado, em detrimento dos casos de negligência.

O mesmo Vasco Prazeres explica que os maus-tratos, seja de que tipo forem, não se restringem a uma única classe social, é transversal a todas elas. “É a realidade que nos mostra que assim é. Eventualmente somos capazes de identificar, à partida, mais vulnerabilidades e mais fatores de risco que possam propiciar violência em determinados contextos sociais do que noutros”, admite o mesmo.

Luísa Horta e Costa, coordenadora do núcleo do centro de saúde de Lisboa Ocidental e Oeiras, explica que está a ser dada prioridade à prevenção e identificação precoce de casos de risco. “Temos tentado estabelecer que os núcleos tenham um olhar mais atento à primeira infância. Têm crescido as sinalizações durante a gravidez. Por exemplo, uma mãe que vem fazer o curso de preparação do parto e parentalidade e o enfermeiro percebe que não está bem ou o casal não está bem. Intervimos logo com uma primeira consulta de psicologia”, explica ao Público, acrescentando que muitas das sinalizações do núcleo são de crianças até aos dois anos. “O que fazemos é tentar parar tudo aqui”, reforça Luísa.

Já no que diz respeito aos desafios do futuro, Vasco Prazeres explica a importância de as equipas de saúde terem na sua bagagem de profissionais “a incorporação dos maus-tratos como um problema de saúde a rastrear de forma sistemática. Sabemos que a exposição a maus-tratos em idades precoces compromete em muito o desenvolvimento integral das pessoas. E que isso tem um efeito ao longo da vida. A intervenção tem o papel importante de poder travar a replicação do modelo de violência ao longo de gerações”, salienta o coordenador.

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: dlopes@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)