Os estivadores do porto de Setúbal aprovaram esta quarta feira em plenário o prolongamento, até 8 de maio, do prazo de negociação do novo contrato coletivo de trabalho (CCT) para o porto de Setúbal, revelou à agência Lusa fonte sindical.

No mês de março, o Sindicato dos Estivadores e Atividade Logística (SEAL) tinha feito um ultimato a exigir a conclusão das negociações do novo CCT até 25 de abril, mas, face ao acordo entre o sindicato, associações patronais e mediação do Governo, para uma nova ronda negocial, decidiram aceitar a prorrogação do prazo até 08 de maio.

Em 14 de dezembro do ano passado, o SEAL e os operadores portuários, sob mediação do Governo, chegaram a acordo para o regresso ao trabalho dos estivadores, depois da recusa da esmagadora maioria, contratados à jorna, em se apresentarem ao trabalho, situação que praticamente paralisou o porto de Setúbal durante mais de um mês.

O acordo entre o SEAL e os operadores portuários de Setúbal previa a passagem a efetivos de 56 trabalhadores precários e o levantamento de todas as formas de luta, incluindo a greve ao trabalho extraordinário, bem como a negociação e aprovação de um contrato coletivo de trabalho no prazo de 75 dias, prazo esse que já foi largamente ultrapassado sem que tivesse sido alcançado um entendimento entre as partes.

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Poucos dias antes de ter sido celebrado o acordo que permitiu retomar a atividade portuária em Setúbal em 14 de dezembro do ano passado, a Associação Industrial da Península de Setúbal tinha alertado para as consequências da paralisação, referindo que as principais empresas da região de Setúbal — onde se incluem a Navigator e a Autoeuropa, dois dos três maiores exportadores nacionais –, estavam impedidas de importar matéria-prima e de exportar os seus produtos.

Até final do ano passado cerca de 90% dos estivadores do porto de Setúbal eram contratados ao turno, sem quaisquer regalias sociais, situação que foi mantida durante duas décadas pelas empresas de trabalho portuário do porto de Setúbal.