Depois de muitos jogos sem as principais referências e até menos jogadores do que é permitido no banco mesmo chamando elementos das camadas mais jovens, Thomas Tuchel voltou a contar com a habitual constelação de estrelas para a final da Taça de França, este sábado. E foi com tudo, ou não fosse este encontro o último a valer alguma coisa na temporada do PSG depois da conquista da Ligue 1 e das eliminações na Taça da Liga e na Liga dos Campeões. No entanto, aquilo que na teoria deveria ser apenas mais uma noite de festa acabou por tornar-se nas últimas gotas de um autêntico pesadelo no clube.

Com Di María, Neymar e Mbappé na frente e um esquema de três centrais que dava outra liberdade em termos ofensivos aos laterais Dani Alves e Juan Bernat, os parisienses não poderiam ter um início melhor e já venciam o Rennes por 2-0 pouco depois dos 20 minutos, com golos dos brasileiros Dani Alves (13′) e Neymar (21′). Kimpembe, com um autogolo, ainda abriu um pouco a discussão do resultado perto do intervalo (40′) mas, até perante aquilo que se tinha passado nos 45 minutos iniciais, o segundo tempo parecia estar destinado a ser um passeio do PSG rumo ao triunfo. Pelo contrário, foi tudo menos isso – Mexer, ex-central de Sporting, Olhanense e Nacional, conseguiu empatar (66′), o jogo foi para prolongamento, Mbappé foi expulso (118′) e a reviravolta surgiu mesmo nas grandes penalidades, com o conjunto de Julien Stéphan a ganhar por 6-5.

Agora, os estilhaços da derrota. A começar pelo próprio Mbappé, que depois de já ter visto vermelho direto no Campeonato e na Taça da Liga foi também expulso na Taça de França após uma entrada muito dura sobre Damien da Silva quando estava apenas a dois minutos do final do prolongamento e consequente desempate nas grandes penalidades. Com isso, o jovem avançado francês não deverá escapar sem uma sanção pesada que colocará em causa de vez a luta pela Bota de Ouro esta época.

Depois, Neymar. Em entrevista à Fox Sports, o avançado brasileiro que voltou após três meses de paragem por lesão tinha aberto de novo a porta a uma eventual saída para o Real Madrid, ao destacar que gostaria de jogar com Eden Hazard pelo estilo muito diferente do seu – isto quando é público haver um interesse comum do jogador do Chelsea e dos merengues numa transferência para a próxima temporada. Marcou na final da Taça de França mas o golo foi insuficiente e acabou mesmo por agredir um adepto, em resposta a alguns insultos quando subia as escadas para receber na tribuna a sua medalha de finalista vencido.

“Estou bem e de consciência tranquila. Vamos agora terminar a temporada porque temos outros objetivos para cumprir. Ainda faltam alguns jogos do Campeonato e o meu objetivo é estar bem na preparação para a Copa América. Castigo da UEFA? Estou triste porque é um castigo que surge depois de algo que escrevi [nas redes sociais] num momento de tristeza… Deviam respeitar o meu sentimento, são coisas que acontecem – e não digo mais porque me podem suspender mais jogos”, comentou no final da partida, passando ao lado do incidente que lhe pode valer um castigo interno e externo.

Por fim, e num plano mais geral, como será o futuro do PSG? Já se sabia que o lugar do alemão Thomas Tuchel está tudo menos seguro apesar de ter contrato para a próxima época, juntando-se agora o nome de Rafa Benítez a outros como Arséne Wenger ou José Mourinho como possíveis sucessores no comando dos parisienses. Já se sabia que o lugar do português Antero Henrique como diretor desportivo pode também não estar muito seguro, perante as investidas do clube nas últimas janelas de mercado (a última contratação terá sido Ander Herrera, médio do Manchester United, a custo zero). Já se sabia que existem pelo menos dez jogadores com futuro incerto, de Buffon a Neymar, passando por Dani Alves, Di María ou Cavani (Rabiot vai sair). Mas agora até o próprio Nasser Al-Khelaïfi pode ter o lugar o risco, perante mais uma temporada muito abaixo do esperado.

De acordo com a imprensa francesa, a revolução pode chegar ao líder do PSG, com o xeque do Qatar Tamim bin Hamad Al-Thani a querer procurar outras soluções para alcançar outros resultados em termos europeus depois de oito anos de ligação entre o conjunto francês e o Qatar Investment Authority. O Le Parisien avança mesmo que deverão chegar ordens para cortar as asas a Al-Khelaïfi nas decisões de maior peso, ficando apenas por saber a quem pertencerá o papel nesse cenário.