A comemoração de um título nunca tem propriamente horas definidas a não ser nas cerimónias solenes e o Sporting não fugiu a essa regra no final da Taça de Portugal: depois de todos os jogadores terem ficado largos minutos no relvado do Jamor após terem recebido o troféu, com famílias e amigos, a ideia passava por acelerar a saída do Estádio Nacional rumo a Alvalade mas o habitual controlo anti-doping acabou neste caso por atrasar tudo, com Diaby a travar a partida do autocarro enquanto algumas dezenas de adeptos (e motas, com ou sem câmaras televisivas) ainda esperavam a equipa para uma última saudação.

Dost, o senhor da justiça divina que se entregou ao destino – e ganhou (a crónica do Sporting-FC Porto)

Fosse pelo público, pelas portas disponibilizadas de acesso ou até pelo próprio palco, a festa teve muitos traços parecidos com a da última conquista da Taça de Portugal, em 2015, frente ao Sp. Braga, com os jogadores a serem chamados ao palco que estava instalado no centro do relvado um a um por ordem numérica até à entrada final do capitão, neste caso Bruno Fernandes, com o troféu. Ainda assim, houve duas nuances: a chamada de elementos mais “invisíveis” da estrutura técnica, como os analistas de dados ou os motoristas, e a “não chamada” do presidente ou de qualquer dirigente do clube ou do futebol.

Tudo corria dentro da maior normalidade quando, na altura em que Marcel Keizer começava a deixar ao microfone algumas palavras de agradecimento aos adeptos, os focos de atenção passaram para o topo sul de Alvalade: a polícia recorreu ao bastão para evitar uma invasão (pacífica) de campo por uma das passagens por cima do fosso atrás das balizas, alguns adeptos responderam com o arremesso de cadeiras e foi necessária a chamada do corpo de intervenção para acalmar os ânimos naquela zona do estádio, criando-se uma clareira sem adeptos nesse local depois desse último momento.

Pouco depois, quando era Bruno Fernandes que estava já com o microfone, também no topo sul mas um pouco ao lado, acabou por haver um pequeno incêndio rapidamente apagado pelos bombeiros que se encontravam na zona do relvado mas que, ainda assim, tiveram de evitar uma cadeira que foi arremessada na sua direção. No final de toda esta confusão, houve uma maca que se dirigiu ao local pela parte lateral do relvado e retirou uma adepta que terá ficado ferida.

Nas palavras de circunstância que técnico e capitão tinham deixado entretanto, Keizer voltou a desfazer-se em elogios aos seus jogadores e ao apoio dos adeptos à equipa, terminando em português com um “Obrigado, parabéns!”, ao passo que Bruno Fernandes voltou a falar na ambição de atingir patamares mais altos de conquistas. “Como todos sabem, este ano foi muito difícil para nós e para vocês. Conseguimos duas taças mas isto não vos satisfaz. Vocês querem mais e nós também queremos mais. Há que continuar nesta linha, cada vez mais unidos, jogadores e adeptos. Só com esta união e apoio vamos conseguir. Não vos peço mais do que têm feito, peço-vos igual e nós vamos tentar fazer melhor”, destacou.

Pouco depois, acabava a festa e os jogadores começaram a sair nas suas viaturas, com dezenas de adeptos na zona de acesso ao parque para mais uma mini festa naquele local. Também aqui, houve essa diferença em relação a 2015, altura em que os adeptos acabaram por fazer uma invasão pacífica no relvado na parte final das comemorações após o triunfo na Taça de Portugal.