No futebol tudo pode mudar em 24 horas e o técnico Maurizio Sarri surge como mais um exemplo desse chavão que nunca perde a sua atualidade. Ora vejamos: depois de uma temporada que não agradou a todos adeptos do Chelsea (que talvez tivessem também as expetativas demasiado elevadas para o patamar onde está agora a equipa), o italiano saiu do último treino antes da final da Liga Europa a atirar o chapéu ao chão e a dar-lhe depois pontapés na sequência de um desentendimento entre David Luiz e Gonzalo Higuaín por uma entrada mais dura (e fora de tempo) do argentino; no dia seguinte, não só conquistou o seu primeiro título de sempre como pode ter dado um passo importante para regressar ao seu país pela porta grande.

Aos 60 anos, o antigo bancário que enquanto acumulava funções treinou os modestos Stia, Faellese, Cavriglia, Antella e Valdema, abraçou em exclusivo o futebol apenas em 1999 (ano em que Malesani foi o último italiano a ganhar a Liga Europa, então Taça UEFA, quando liderava o Parma), começando a dar nas vistas sobretudo a partir de 2005, quando orientou o Pescara. No entanto, seriam os três anos no Empoli entre 2012 e 2015, quando conseguiu levar a equipa à Serie A e depois manter com um jogo de qualidade, que lhe valeram o salto para o Nápoles, o clube da terra natal. Durante três anos, a equipa assumiu-se em definitivo como grande rival da Juventus na luta pelo título mas terminou em duas ocasiões no segundo lugar, o que nem por isso deixou de chamar holofotes para a primeira experiência no estrangeiro: o Chelsea, a partir de 2018.

Não se pode dizer propriamente que a Premier League tenha visto na plenitude aquilo que começou a ser descrito de Sarriball mas, olhando para a floresta e não para a árvore, esta acabou por ser uma boa temporada do técnico transalpino na sua estreia fora de Itália: o terceiro lugar no Campeonato foi um mal menor perante a superioridade de Manchester City e Liverpool sobre as restantes equipas; foi à final da Taça da Liga, onde perdeu nos penáltis (num jogo que ficaria marcada pela rábula da não saída de Kepa de campo quando Caballero estava para entrar); colocou de novo a equipa na Liga dos Campeões, com 39 vitórias no total, algo apenas superado por Mourinho em 2004/05; e conquistou agora o sexto troféu europeu da história do clube – com a particularidade de suceder a Vialli e Di Matteo entre os italianos que ganharam pelos blues as últimas finais europeias.

No entanto, esta análise pode não ser suficiente para ficar em Stamford Bridge, até pela forte condicionante que o Chelsea terá na próxima temporada: além de não poder contratar jogadores até ao verão de 2020, vai perder nas próximas semanas Eden Hazard (provavelmente para o Real Madrid). Ou seja, as hipóteses de fazer melhor do que esta época serão complicadas. E a par disso existe outro dado importante que passa pelo eventual interesse da Juventus na sua contratação para suceder a Allegri.

Passada a “euforia” Guardiola que durou menos de 24 horas, quando se percebeu que não haveria qualquer hipótese de mudança do espanhol do City para Turim, com Antonio Conte em vias de ser apresentado no Inter e com Zinedine Zidane (re)confirmado no Real Madrid, o nome de Maurizio Sarri tem surgido nas capas das principais publicações nacionais desportivas como nome mais forte para render Massimiliano Allegri na Juventus. E bastou uma fotografia para aumentar ainda mais os rumores sobre essa possibilidade, com Andrea Agnelli, presidente dos bianconeri, “apanhado” numa esplanada de um hotel em Baku com Bruce Buck, o líder do Chelsea. Se foi aum café entre homólogos ou algo mais, só os próximos dias dirão. Com uma certeza: esta noite o treinador, um fumador assumido, vai ter direito a um charuto… que já estava a abrir no relvado de Baku.

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