As praias algarvias entre a Ilha do Farol (Faro) e a Vilamoura (Loulé) foram interditas a banhos após o surgimento de uma mancha vermelha na água, confirmou o Observador junto da Autoridade Marítima Nacional. A mancha está a ser provocada de um tipo específico de algas, os dinoflagelados, que pertencem ao plâncton marinho e que podem viver também em água doce. Segundo a Autoridade Marítima Nacional, foi a Agência Portuguesa do Ambiente que avisou que a mancha é “potencialmente perigosa para a saúde pública”.

[As imagens do perigoso mar de algas que cobre o Algarve]

A situação já foi detetada no domingo, mas a interdição a banhos só chegou esta segunda-feira. Contudo, a pesca não está proibida e os pescadores profissionais continuaram a ir para o mar entre domingo e esta segunda-feira. Contactada pelo Observador, a Polícia Marítima de Faro diz , no entanto, não aconselhar a pesca nas zonas afetadas, nem o consumo de peixe ou marisco capturado nessas mesmas regiões.

Tiago Duro partilhou no Twitter a mancha vermelha na praia de Quarteira. Este era o cenário às 18h naquela freguesia do concelho de Loulé.

Quando surgem em altas concentrações numa vasta área do mar, a presença destas algas causam aquilo a que vulgarmente se chama uma “maré vermelha”. Ao analisar a água das praias algarvias, a Agência Portuguesa do Ambiente detetou a presença de um organismo prejudicial para a saúde humana e aconselhou os nadadores-salvadores a hastear a bandeira vermelha e a interditar os banhos no oceano.

De acordo com Lígia Sousa, investigadora da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Lisboa, os dinoflagelados são “componentes essenciais do fitoplâncton”: “Os dinoflagelados são um dos membros mais importantes do fitoplâncton em ecossistemas marinhos e de água doce. São organismos planctónicos, geralmente vivem isolados mas, em alguns casos, formam colónias”. Segundo a mesma investigadora, estas algas só têm uma célula que se movimenta graças a duas “caudas”, os flagelos, e são muitíssimo pequenos — os maiores nunca ultrapassam os dois milímetros.

Ora, os dinoflagelados podem produzir substâncias tóxicas perigosos para os humanos. O contacto direto com a pele não constitui qualquer problema para a saúde, mas a ingestão de água contaminada por este organismo pode conduzir a quadros severos de gastroenterite. Comer peixe ou marisco retirado de um mar contaminado por estas algas também conduz a problemas intestinais. Além disso, caso as algas se aproximem das rochas e da costa, as substâncias tóxicas produzidas por elas podem contaminar o ar e provocar dificuldades respiratórias. Em casos mais graves, pode provocar problemas no sistema nervoso.

Neste vídeo publicado no Twitter por Alexander Christoph, um especialista em economia digital alemão de férias no Algarve, é possível ver como a mancha vermelha se estende desde por uns metros a partir da costa.

Em declarações à Agência Lusa, José Pacheco, diretor regional da Agência Portuguesa do Ambiente, confirmou que “foi detetada no domingo uma densidade significativa de uma espécie de alga vermelha que pode ser perigosa para a saúde pública, tendo sido decidido, em conjunto com a autoridade de Saúde, desaconselhar os banhos numa vasta área entre a Ilha do Farol e Vilamoura”.

Em comunicado citado num tweet dos Voluntários Digitais Em Situações de Emergências para Portugal (VOST Portugal), a Agência Portuguesa do Ambiente confirma que a mancha “atinge todas as praias entre a denominada Ilha de Faro e Vilamoura e Praia da Rocha Baixinha, já no concelho de Albufeira”. Essa mancha surgiu “devido à presença em grande densidade de dinoflagelados (‘microalgas’) potencialmente prejudiciais para a saúde humana”.

Veja a fotogaleria com imagens da praia de Quarteira.