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Mauritânia elege novo presidente em campanha dominada pelos direitos humanos

Os seis candidatos convergem no diagnóstico da necessidade de melhorar as condições de vida dos cerca de 4,5 milhões de habitantes, de um país com muitas necessidades de infraestruturas.

Aziz abandona o poder com a esperança de ver suceder-lhe um dos seus mais próximos colaboradores, o ex-general Mohamed Ould Ghazouani

LUDOVIC MARIN / POOL/EPA

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  • Agência Lusa
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A Mauritânia acorre sábado à primeira volta das eleições presidenciais, para escolher o sucessor de Mohamed Abdel Aziz, impedido pela Constituição de se recandidatar a um terceiro mandato, numa campanha dominada pela luta pelos direitos humanos.

Aziz abandona o poder com a esperança de ver suceder-lhe um dos seus mais próximos colaboradores, o ex-general Mohamed Ould Ghazouani, que se candidata pelo Partido da União para a República, que apoiou o atual Presidente, e que as sondagens colocam em primeiro lugar na preferência dos cerca de 1,5 milhões de eleitores.

As sondagens revelam igualmente que a oposição ao atual Presidente prefere maioritariamente Sidi Mohamed Ould Boubacar, que foi por duas vezes chefe de Governo (1992-1996; 2005-2007) e que em 2007 tinha sido impedido de se candidatar ao lugar de Presidente, por nessa altura pertencer ao Conselho Militar.

Boubacar é apoiado por uma coligação que integra o partido islamita Tewassoul, a principal força de oposição ao Governo, e o exilado empresário franco-mauritano Mohamed Ould Bouamatou, muito crítico do atual regime. Quatro outros candidatos (nenhum deles mulher) compõem o boletim de voto da eleição de sábado, que poderá ser apenas a primeira volta das presidenciais (se nenhum candidato obtiver mais de 50% dos votos, haverá segunda volta em 6 de julho.

O apoio do atual Presidente, Mohamed Abdel Aziz, que em 2014 foi eleito mais de 80% dos votos, é um trunfo importante para o candidato do Partido da União para a República, Ghazouani, que tem usado a popularidade dele em seu favor. Mas um fator importante nas eleições do próximo sábado é o apoio dos líderes de clãs, que funcionam como opinion makers, sobretudo nas zonas do interior, numa sociedade fechada e muito tribalizada.

Os líderes de clãs, conhecidos como “fazedores de reis”, conseguem com facilidade mobilizar o eleitorado de uma região em torno de um candidato, o que tem levado os seis candidatos a procurar o seu apoio nas digressões de campanha que fizeram ao longo das últimas semanas.

A campanha foi dominada pela discussão do tema dos direitos humanos, com os partidos da oposição a pedir medidas urgentes para combater o tráfico de seres humanos, bem como os ataques à liberdade de imprensa — problemas que se prometeram resolver após o regime de partido único que vigorou até 2005.

Os seis candidatos convergem no diagnóstico da necessidade de melhorar as condições de vida dos cerca de 4,5 milhões de habitantes, de um país com muitas necessidades de infraestruturas e de melhores sistema de saúde e de educação.

As divergências surgem sobre a avaliação da eficácia do atual sistema de governação, com o candidato do partido do poder a mostrar-se otimista quanto à continuidade das opções políticas de Aziz e a oposição a revelar-se muito cética e referindo o crescimento do PIB (que foi de 3,6% em 2018) como insuficiente para retirar o país dos níveis de pobreza em que se encontra.

A oposição mostrou-se também preocupada com as condições de transparência do ato eleitoral de sábado.

Vários partidos acusam a Comissão Nacional Eleitoral de estar ao serviço do regime e mostram-se indignados pelo facto de o Governo ter rejeitado um pedido para convocar observadores internacionais para monitorizar as eleições presidenciais.

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