Os trabalhadores do Teatro Nacional S. Carlos (TNSC) e da Companhia Nacional de Bailado (CNB) decidiram esta sexta-feira, em plenário, manter a greve para junho e julho, após reunião com a secretária de Estado da Cultura, disse um dirigente sindical.

“Os trabalhadores consideraram [a proposta] inaceitável e a greve mantém-se e vamos ponderar outras formas de luta, nomeadamente avançar para tribunal”, disse à agência Lusa André Albuquerque, do Sindicato dos Trabalhadores do Espetáculo, do Audiovisual e dos Músicos (CENA-STE).

Os trabalhadores preveem igualmente avançar com um abaixo-assinado, retirando a confiança ao presidente do conselho de administração do Organismo de Produção Artística (OPART), Carlos Vargas. O OPART gere o TNSC e a CNB.

E um novo plenário ficou agendado para quarta-feira, para os trabalhadores “decidirem novas formas de luta”.

No plenário desta sexta-feira, “os trabalhadores ficaram estupefactos” com a proposta do Governo e os “ânimos exaltaram-se”, adiantou André Albuquerque à Lusa.

Segundo o sindicalista, “vem agora o Governo dizer que considera que o acordo que reduziu as 40 horas [de trabalho semanais] na CNB para as 35, de setembro de 2017, é ilegal e ilegítimo e, portanto, o que propõe são três soluções: que os trabalhadores da CNB voltem às 40 horas mantendo o salário, que fiquem nas 35 com redução salarial, ou que façam 35 horas mais cinco horas em banco de horas, mantendo o salário também”.

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“Reconhecem que há um problema, mas depois vêm dizer que o conselho de administração, em 2017, chegou a acordo com os trabalhadores da CNB para reduzir das 40 para as 35 horas semanais, que não tinha legitimidade para o fazer”, disse o sindicalista após a reunião com a tutela.

Os trabalhadores do TNSC e da CNB iniciaram a 07 de junho uma série de greves, que serão mantidas até haver garantias da parte do Ministério das Finanças, em relação às suas reivindicações.

As greves levaram ao cancelamento de três récitas da ópera “La Bohème”, no TNSC, a 07, 09 e 14 de junho.

Os trabalhadores avançaram também com pré-avisos de greve às apresentações dos bailados “Nós como Futuro”, a 27, 28 e 29 de junho, no Teatro Camões, em Lisboa, “Dom Quixote”, entre 11 e 13 de julho, no Teatro Rivoli, no Porto, “15 Bailarinos e Tempo Incerto’, a 17 e 18 de julho, no Teatro Municipal Joaquim Benite, no âmbito do 36.º Festival de Almada, e aos espetáculos incluídos no Festival ao Largo, que decorre de 05 a 27 de julho, em Lisboa.

Em março, depois de uma reunião do conselho de administração do OPART com os representantes sindicais, os trabalhadores do TNSC e da CNB foram informados de que a harmonização salarial entre os técnicos das duas estruturas seria processada este mês.

Já em maio, foi dito que entraria em vigor em 2020.

Em 2009, e por acordo entre o sindicato e o OPART, os técnicos do TNSC, como parte de um compromisso alargado, aceitaram um vencimento base equiparado ao dos técnicos com funções similares da CNB, mas proporcionalmente inferior visto que estes trabalhariam 40 horas semanais e os do TNSC 35 horas semanais.

Assim, a redução do horário de trabalho dos técnicos da CNB, em setembro de 2017, para as 35 horas semanais, vinha impor a resolução da diferença salarial.