O caso ocorreu no início da semana passada no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, poucos dias depois de o histórico dirigente comunista Ruben de Carvalho ter morrido no mesmo hospital na sequência de uma queda. Agora, segundo avança o jornal Sol, o mesmo aconteceu a um doente internado no serviço de pneumologia daquele hospital, que morreu depois de uma queda durante a noite.

Segundo o Sol, o Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte confirmou a ocorrência e adiantou que o caso está a ser alvo de uma investigação interna: “Tendo presente e assumindo com preocupação que a ocorrência de quedas representa um importante elemento de risco identificado em ambiente hospitalar, o Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte tem implementado um sistema de monitorização e notificação de incidentes adversos em contexto clínico, nomeadamente as quedas.” Mais: “O caso em apreço foi objeto de notificação neste âmbito e está em processo de análise.”

Uma avaliação preliminar do caso da semana passada, contudo, indica que a queda terá ocorrido apesar de verificados todos os procedimentos de segurança, defende fonte hospitalar citada pelo mesmo jornal.

Segundo dados da Direção-Geral da Saúde, as quedas são o incidente hospitalar mais reportado. Entre 2015 e 2017 registaram-se 22.799 casos de queda, de um total de 47.090 incidentes – que incluem indicadores como erros de medicação, úlceras de pressão, identificação do doente e cirurgia segura.

Ruben de Carvalho morreu no dia 11 de junho, tendo entrado em coma após uma queda quando estava internado no Hospital de Santa Maria. Na sequência da morte, o Ministério Público abriu uma investigação para apurar se houve negligência durante o internamento do histórico dirigente comunista: “Confirma-se a existência de um inquérito dirigido pelo Ministério Público do DIAP de Lisboa. Não tem arguidos constituídos”, respondeu ao Observador fonte oficial da Procuradoria-Geral da República.

Entretanto, depois de o Observador ter publicado aquela notícia, o hospital de Santa Maria abriu uma investigação interna à situação. “Atendendo às notícias que vieram a público, decidiu o Conselho de Administração abrir um processo de inquérito”, disse ao Observador o porta-voz do hospital, recusando acrescentar mais informações ou comentar o processo que corre no Ministério Público.