Rádio Observador

Fósseis

Descoberta uma nova espécie de planta no meio da cidade em Gondomar

518

"Annularia noronhai" foi encontrada no meio da cidade, num lote para construção, em Gondomar. Tem 300 milhões de anos, é um parente muito afastado da cavalinha e diz muito sobre o clima da época.

O fóssil foi descoberto na mesma escavação onde já foram identificadas outras quatro novas espécies

Pedro Correia et al.

Foi descoberta em São Pedro da Cova, concelho de Gondomar, uma nova espécie de planta já extinta que viveu há 300 milhões de anos, muito antes sequer de os dinossauros dominarem o planeta Terra. Annularia noronhai, assim batizada em homenagem ao geólogo português Fernando Noronha, professor recentemente reformado do departamento de Geociências da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, é um parente muito afastado da cavalinha. E foi encontrada num lote para construção no meio da cidade, na bacia do rio Douro.

Créditos: Pedro Correia et al.

Este fóssil foi encontrado numa escavação com apenas dois metros, mas de onde já foram retirados fósseis de cinco novas espécies nos últimos nove anos — duas espécies de insetos e três de plantas. Segundo Pedro Correia, o investigador da Universidade do Porto que liderou a equipa responsável pela descoberta, a riqueza da bacia do Douro em fósseis vem das condições climáticas em que essa região estava há 300 milhões de anos.

“A Península Ibérica era uma região tropical, estava muito próxima do Equador. No Douro, que era uma região intramontanhosa, havia um clima sazonal. No entanto, estávamos a atravessar uma severa alteração climática, semelhante à que hoje registamos”, começa por explicar Pedro Correia. Ora, na região onde estes fósseis foram encontrados, havia floresta muito densa e com muitas plantas — daí que haja tantos fósseis vegetais na bacia do Douro. “Nos anos setenta, 70% do carvão que utilizávamos era extraída aqui. Esse carvão resultou da acumulação da flora”, conclui Pedro Correia.

Foi exatamente à conta das alterações climáticas que Annularia noronhai se desenvolveu. Após comparar a espécie eternizada naquele fóssil com outras semelhantes, a equipa de Pedro Correia percebeu que as folhas desta nova espécie tinha evoluído para que a planta se conseguisse agarrar aos ramos das plantas vizinhas. Isso mesmo é o que está explicado no estudo assinado pelo investigador português e publicado na revista científica Historical Biology: “É distinta principalmente pelas suas folhas com forma de lança, caracterizadas por mucros [ponta que determina certos órgãos vegetais] muito alongados”.

Neste fóssil é possível distinguir o formato das folhas da planta, parente afastada da cavalinha. Créditos: Pedro Correia et al.

Para determinar que estavam perante uma espécie nunca antes identificada, os cientistas tiveram de comparar este fóssil com outros já descritos na literatura em todo o mundo. “Se encontrarmos características que as espécies mais próximas não têm, então estamos perante uma nova espécie. Este processo é muito longo. Neste caso demorou nove anos a ser concluído e precisou da participação de cientistas internacionais, mais experientes”, explicou Pedro Correia.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros de órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: mlferreira@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)