O célebre ilustrador e cartoonista argentino Guillermo Mordillo morreu aos 86 anos na ilha de Maiorca, em Espanha, avança a agência de notícias Efe, cuja notícia foi confirmada por fontes próximas da família.

O também humorista, que continuava no ativo, morreu no sábado à noite na sequência de uma indisposição enquanto jantava com a família num restaurante na cidade de Palma Nova.

EPA/HERBERT PFARRHOFER

Mordillo nasceu na Argentina a 4 de agosto de 1932. Estava casado com Amparo Camarasa, com que tinha dois filhos, Sebastién e Cécile, escreve o jornal espanhol El País. Mordillo tinha casa em Maiorca e no Principado do Mónaco.

Guillermo Mordillo começou a desenhar aos 13 anos de idade e, mais tarde, formou-se em ilustração. Aos 23 mudou-se para o Peru e aí permaneceu durante cinco anos. Seguiu-se Nova Iorque, onde chegou a trabalhar para os estúdios da Paramount que lhe pediram que desenvolve-se os movimentos da personagem Popeye. Posteriormente viveu 17 anos em Paris — o ilustrador alcançou fama internacional durante a sua estadia naquela capital.

A universalidade dos desenhos humorísticos terá sido um dos seus trunfos. A várias publicações contou que o seu processo era muito intuitivo, sendo que o futebol e os animais eram temas recorrentes. Chegou a fazer 2.000 desenhos sem palavras.

Mordillo entrou no mundo dos jornais depois de ter um dos seus trabalhos ter sido publicado na revista Paris Match na década de 60 — como não dominava a língua francesa, acrescenta o El País, acabou por se dedicar ao humor mudo.

Durante a vasta carreira acumulou vários galardões, incluindo o Prémio Phoenix de Humor (1973), o Prémio Criança Amarela (1974), o Prémio Nakanoki (1977) e a Palma de Ouro de San Remo.

Realizou apenas três exposições: em Paris, no final da década de 60, em Barcelona e em Palma de Maiorca, já em novembro de 1989.  Mordillo chegou a ser presidente da Associação Internacional de Autores de Comics e Cartoons. O ilustrador continuava a trabalhar e, segundo o El País, estava envolvido “em vários projetos interessantíssimos”.

Ao longo de mais de 50 anos de carreira dedicou-se a fazer rir pessoas todo o mundo através das suas ilustrações. Numa entrevista à publicação alemã Deutsche Welle, por altura dos seus 80 anos, o ilustrador fez um balanço da sua vida e comentou que tudo “valeu a pena”.

“Ele marcou toda uma geração”

Em reação à morte de Mordillo, o cartoonista português António diz ao Observador que o argentino impôs um estilo que marcou toda uma geração, sendo detentor de um “grafismo muito próprio, sintético e quase infantil”. “Um falso infantil, muito sofisticado, mas simples”.

Tive o prazer de o conhecer, de raspão, em Alcalá [de Henares, que alberga a World Press Cartoon]. Ele era uma das grandes figuras. Neste momento, na Argentina, só resta o Quino.”

Para António, Mordillo apelava ao interesse de vários públicos, das crianças aos adultos. “Penso que esta foi uma das chaves do seu sucesso.”