O primeiro dia de greve dos mestres da Soflusa regista já uma adesão de 100%: os 18 mestres que se encontram no ativo (outros seis estão de baixa), aderiram na totalidade ao primeiro de três dias de paralisação. E só esta segunda-feira serão afetadas cerca de 30 mil pessoas nas viagens de barco entre Lisboa e Barreiro, disse a secretária-geral da Soflusa, Margarida Perdigão, à Rádio Observador.

Declarações de Margarida Perdigão à Rádio Observador

Na origem da greve está o aumento do prémio de chefia, avaliado em cerca de 60 euros. Os mestres exigem o cumprimento desse acordo de valorização salarial que dizem ter sido “suspenso”. No entanto, em declarações à Rádio Observador, Margarida Perdigão desmentiu esta segunda-feira a suspensão deste acordo, celebrado em maio.

Os serviços mínimos decretados pelo Tribunal Arbitral para os três dias de greve apenas incluem quatro carreiras (00h30 e 05h05 no Barreiro, no distrito de Setúbal, e 01h00 e 05h30, no Terreiro do Paço, em Lisboa). “Desde as 05h50 já saíram cerca de 12 autocarros com destino ao Terminal Fluvial do Seixal, a fim de ser utilizada esta alternativa de mobilidade”, informou a Soflusa.

Esta paralisação, que se estende até quarta-feira, e a greve ao trabalho extraordinário, em vigor desde sábado por tempo indeterminado, foram convocadas pelo Sindicato dos Transportes Fluviais, Costeiros e da Marinha Mercante (STFCMM), que afirma não se estar a registar uma “evolução significativa” nas negociações com a Soflusa.

Margarida Perdigão diz ao Observador que o que fizeram há um mês e meio foi celebrar um pré-acordo — que está a ser quebrado pelos trabalhadores. A secretária-geral garante que já se fizeram duas reuniões com o sindicato e afirma também que as greves não influenciam a posição da empresa.

Em 21 de junho, a Soflusa garantiu que estão a decorrer as negociações com os sindicatos e que irá dar “total cumprimento” ao acordo estabelecido com os profissionais.

A decisão de aumentar o prémio dos mestres levou a que sindicatos, de outras categorias profissionais na empresa, também avançassem com plenários e pré-avisos de greve, alegando que a subida causaria uma “desarmonia salarial”.

Na sexta-feira à noite a empresa ativou um plano de contingência para assegurar o transporte dos passageiros da ligação fluvial, entre o Barreiro e Lisboa, de forma alternativa, explicando que a última ligação ocorreu às 23h30 devido à falta de mestre.

Com o objetivo de minimizar o impacto da suspensão desta ligação fluvial, a partir das 23h30 (de sexta-feira), encontra-se ativo o plano de contingência para o início da madrugada de sábado”, refere a empresa numa mensagem na sua página oficial.

O plano de contingência consiste na realização de carreiras extra entre o Cais de Sodré e o Seixal, às 00h15, 01h15 e 02h15, sendo depois efetuada a ligação entre o terminal do Seixal e o terminal do Barreiro através de táxi.

Em 17 de junho, na véspera de uma greve marcada pelo Sindicato da Mestrança e Marinhagem da Marinha Mercante, Energia e Fogueiros de Terra (SITEMAQ), foi anunciado que esta seria suspensa na sequência da subscrição de um protocolo negocial entre a administração da empresa e os sindicatos, com o STFCMM a ser o único que não assinou.

Já desde 18 de junho que os mestres estavam a recusar o trabalho extraordinário, mas, no sábado, entraram em greve, que se prolonga até 31 de dezembro, o que está a causar perturbação nas ligações fluviais porque, segundo a empresa, “a regularidade do serviço só pode ser assegurada com recurso à prestação de trabalho suplementar pelos mestres”.

Para quinta-feira está marcada uma reunião entre a administração e o STFCMM.