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Música

De FKJ a Kaytranada: seis concertos para ver no segundo dia de Super Bock Super Rock

Se tudo correr como previsto, será o dia de menor afluência ao festival e o dia menos memorável, mas há quem possa confundir isto tudo. Kaytranada, sobretudo.

O DJ e produtor musical Kaytranada passou nos últimos anos por festivais como o Coachella e o Lollapalooza. É uma das grandes figuras do hip-hop e música de dança desta década

Getty Images

Calexico & Iron & Wine

18h30, palco EDP

Quando surgiu era uma parceria algo inesperada, mas resultou na plenitude. A receita passava, no longínquo ano de 2005, por somar o jeito do barbudo “Sam” Beam — o homem da Carolina do Sul que só precisa de uma guitarra acústica para cantar e encantar — para as canções acústicas aos arranjos mais elaborados de banda dos Calexico. Iron & Wine, assim se apresenta Sam Beam na música, tratava da melodia base e da cantoria (como tão bem sabe), os Calexico acrescentavam toques de country-rock do deserto, jazz e ritmos mexicanos. Gravaram juntos pela primeira vez no EP In The Reins. Depois, Joey Burns e Paul Niehaus dos Calexico ainda ajudaram Beam a gravar o seu álbum The Shepherd’s Dog, um dos mais elogiados da sua discografia, até que recentemente aliaram-se todos novamente para gravar um álbum colaborativo, Years To Burn. É este último disco que justifica a digressão que traz os Calexico e Iron & Wine juntos a Portugal. Se estiver uma brisa fresca no Meco e se toda a gente estiver com o espírito tranquilo e sossegado, pode muito bem ser uma bela surpresa. Faça-se silêncio.

Shame

19h15, palco Super Bock

No verão passado, uns meses depois do lançamento de um primeiro álbum — intitulado Songs of Praise e editado logo em janeiro —, os Shame apresentaram-se no festival Vodafone Paredes de Coura e foram uma surpresa para muitos. Quem não os conhecia passou a saber com o que contar: banda britânica até ao osso, com sotaque carregado e pose mal-comportada, gritos aqui cantoria acolá, rock com ecos de pós-punk com o nervo e a descarga elétrica nas doses certas. Houve crowd surf até da banda, houve fúria transposta para canções rock, houve uma comunhão inesperada. No Super Bock Super Rock, tem tudo para não ser muito diferente.

Capitão Fausto / Christine and the Queens

20h30, palco EDP / 21h, palco Super Bock

Neste segundo dia, é recomendável jantar cedo, até porque há dois concertos que vale a pena ver mais ou menos neste período horário (mesmo que não completos): primeiro, os Capitão Fausto, relegados este ano para o palco secundário (depois de terem passado pelo principal), apresentam as canções de A Invenção do Dia Claro, o novo disco lançado este ano. Depois, será tempo da francesa Héloïse Adelaide Letissier apresentar as canções dançantes e synth-pop que gravou com o seu projeto Christine and the Queens para o álbum Chris, editado no último ano e sucessor de Chaleur Humaine (de 2014). Serão duas propostas mais interessantes do que o que se seguirá nestes palcos: Charlotte Gainsbourg no secundário e no principal uns Phoenix que nos últimos anos têm tentado reinventar a fórmula (já sem grande arrojo) do bem sucedido álbum de pop-rock eletrónica Wolfgang Amadeus Phoenix, de 2009.

FKJ

0h, palco EDP

O mundo ficou a conhecê-lo pela colaboração com Masego (que curiosamente também estará no Meco) no tema “Tadow”, que se tornou um dos novos clássicos da internet fazendo furor no Youtube e nas plataformas de streaming, batendo recordes de visualização. Francês, de nome artístico FKJ (siglas de French Kiwi Juice) e nome de batismo Vincent Fenton, mistura produção eletrónica com produção tradicional (é multi-instrumentista e toca desde guitarra a sintetizador e saxofone) e já foi associado a géneros como pop, nu jazz e soul digital. Entre o groove de “Better Give U Up” e as batidas dançantes e ligeiras de “Canggu”, entre a produção instrumental e a voz melosa, é especialmente capaz de pôr jovens em deleite. No Meco, será uma boa oportunidade para perceber se o hype existe mesmo — e se se justifica ou não.

Kaytranada

1h15, palco Super Bock

Há muito que se pedia a estreia de Kaytranada em Portugal. O DJ e produtor musical que nasceu no Haiti mas cresceu no Canadá, cujo nome de batismo é Louis Kevin Celestin, tem sido figura de proa da nova música urbana mundial desta década, fundindo batidas hip-hop com batidas da música eletrónica mais tradicional. Não pode ser avaliado pelos álbuns — só tem um, 99.9%, para o qual convidou gente como Vic Mensa, GoldLink, o duo AlunaGeorge, Anderson .Paak, as bandas Little Dragon e Badbadnotgood e Syd a dar a sua contribuição. Olhando para as mixtapes que lançou, os EP (mini-álbuns) e os singles, o catálogo cresce em quantidade e qualidade. No palco Super Bock, vai ser impossível ver alguém manter o corpo sossegado, avisamos já. A festa prosseguirá fora de horas (a partir das 2h30) com Dâm-Funk, imprescindível… se ainda restarem forças.

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