Cillessen, Keylor Navas, Helton Leite, Perin, Mignolet, Olsen, Rulli, Sergio Rico. Se recuarmos ao final da última temporada, que terminou com a conquista do Campeonato por parte do Benfica, e chegarmos a este último jogo de pré-época, em oito semanas houve pelo menos oito nomes apontados à baliza dos encarnados. E uma das hipóteses chegou mesmo a fazer exames médicos no clube, caindo por motivos físicos (Perin). No meio de todo este turbilhão de nomes, interesses, propostas ou anúncios sem grande fundamento (terá havido um pouco de tudo), Odysseas Vlachodimos continuava o seu trabalho, como se nada se passasse, quase como se houvesse uma realidade paralela que não lhe dizia respeito porque aquele era o seu lugar por mérito.

Depois de ter ficado de fora contra a Fiorentina, onde Zlobin foi titular e Svilar entrou para a segunda parte, o número 99 voltou e da melhor forma, levando mesmo o próprio Twitter do Benfica a criar uma hashtag #Odysaves no decorrer da primeira parte (que seria também utilizada no segundo tempo). Foi graças a ele que o Benfica somou mais uma vitória nos Estados Unidos frente ao AC Milan (1-0), foi graças a ele que a equipa pode ter assegurado a International Champions Cup com três triunfos. Houve fases boas sobretudo do trio que apoiava Seferovic na frente (Pizzi, Rafa e Taarabt), houve momentos menos conseguidos quer na ligação de setores, quer nos espaços entre linhas quando a bola entrava pelo corredor central no último terço. Houve, sobretudo, um grande Vlachodimos, que passou mais uma vez ao lado da evidência de ver o clube procurar um substituto e mostrou que é um dos insubstituíveis neste conjunto encarnado que vai disputar a Supertaça no próximo domingo com o Sporting.

Além da troca naturaliza da baliza, com a saída de Zlobin para a entrada de Vlachodimos, Bruno Lage fez apenas duas alterações em relação à opções iniciais no encontro frente à Fiorentina na madrugada de quinta-feira, com a entrada de Fejsa para o lugar de Florentino Luís e a alteração na frente de Raúl de Tomás (que tem acusado algum desgaste muscular) por Taarabt. Ou seja, tudo igual à estrutura da época passada, neste caso ainda com a aposta em Nuno Tavares, jovem lateral esquerdo das águias, no lado direito da defesa, numa opção que parece começar a ganhar sustentação para ser uma das surpresas na Supertaça.

À semelhança do que aconteceu com o Chivas e com a Fiorentina, o Benfica começou melhor. E a única diferença foi mesmo a eficácia porque os encarnados conseguiram criar três boas chances naquelas dinâmicas tradicionais de transições ofensivas rápidas que passam de forma inevitável pelos pés de Pizzi e Rafa. Foi o avançado a deixar o primeiro sinal de perigo, com um tiro em jeito que passou pouco ao lado do poste de Donnarumma (5′), seguindo-se um remate de Taarabt de fora da área que saiu à figura do guarda-redes italiano (7′) e uma tentativa de Pizzi após cruzamento largo de Seferovic que acabou prensado num defesa contrário (10′). Em velocidade, explorando o jogo entre linhas, as unidades ofensivas estavam em destaque.

No entanto, se essa parte parece oleada e com as rotinas que colocaram o Benfica de Lage como uma equipa que consegue com facilidade chegar à baliza contrária e marcar, a primeira parte mostrou também a pior versão do meio-campo, a falhar a ligação entre setores e a permitir demasiadas facilidades à entrada do último terço para o conjunto do AC Milan poder, em mais do que uma ocasião, inaugurar o marcador. Valeu, sobretudo, Vlachodimos: depois de um remate ao poste de Çalhanoglu (17′), o grego teve uma grande intervenção a tirar o golo a Castillejo (18′) e travou depois em lances consecutivos as tentativas de Borini para canto (27′). Suso e Piatek entraram também em ação com remates que passaram a rasar o poste (28′ e 44′).

Lage não gostou do período antes da paragem para hidratação e fez vários reparos na pausa (Fred Kfoury III/Icon Sportswire via Getty Images)

Das dificuldades defensivas de Grimaldo aos problemas dos dois jogadores mais centrais de meio-campo para travarem a forma como o conjunto transalpino abordava as ações ofensivas, o Benfica esteve abaixo do rendimento nos Estados Unidos durante meia hora mas terminou a primeira parte por cima com duas oportunidades flagrantes travadas por Donnarumma a Gabriel (45′, após cruzamento largo de Nuno Tavares) e Rafa (45+1′, isolado na área após grande assistência de Tarrabt pelo meio).

Lage não mexeu em jogadores mas corrigiu posicionamentos para a segunda parte e Seferovic, logo no primeiro minuto, obrigou Reina a uma defesa complicada para canto. A resposta, essa, não demorou: Castillejo voltou a combinar bem numa tabela onde dois jogadores do AC Milan foram mais fortes do que quatro do Benfica, rematou forte mas Vlachodimos fez mais uma vistosa intervenção para canto (51′). O encontro estava aberto e colocava-se mais ao jeito da velocidade de Rafa, que ganhava espaço para aqueles raides de 30 metros com a bola colada ao pé onde chegava à área ou sofria falta – e num desses lances Pizzi, num livre quase em cima da linha, atirou uma míssil que rebentou nas mãos de Reina (68′). Não foi aí, seria apenas dois minutos depois, com Taarabt a rematar de meia distância, a bater num defesa contrário e a enganar o guarda-redes espanhol (70′).

Mais uma vez, os encarnados tiveram a fortuna de marcar quando o jogo estava mais incerto. Mais uma vez, os encarnados tiveram a sorte de contar com o melhor Vlachodimos na baliza. Mais uma vez, os encarnados tiveram um pouco de sorte também à mistura: já depois de mais um bom remate de Suso descaído na direita da área que o grego afastou para canto, Biglia teve um fantástico livre direto que bateu na trave antes de Piatek fazer o que não costuma e falhar a recarga de cabeça (83′). Entretanto, Bruno Lage já tinha trocado quase todos jogadores e foi um com um novo “onze” que segurou a vantagem pela margem mínima que assegurou a quarta vitória em cinco encontros de pré-temporada dos encarnados antes da Supertaça.