A meio da semana, quando o FC Porto foi eliminado pelo Krasnodar e caiu da Liga dos Campeões para a Liga Europa, o repto de Sérgio Conceição foi simples: “Dragões unidos”. O treinador pedia união, critério, certeza e o fim do ambiente tóxico que é “inédito” desde que está no futebol e garantiu que a resposta apareceria já este sábado, contra o V. Setúbal e na antecâmara da ida à Luz para defrontar o Benfica. Mais do que essa resposta, que surgiu na imagem de uma goleada inequívoca imposta dos sadinos, Sérgio Conceição teve a união, o critério e a certeza que pediu. E o início do fim do ambiente tóxico.

A exibição positiva global, que se estendeu desde Marchesín na baliza a Zé Luís na frente de ataque, merece destaque não só pelos números finais no marcador como pela estatística, superior em toda a linha àquela que o FC Porto tinha registado na primeira jornada em Barcelos, quando perdeu com o Gil Vicente. Os dragões terminaram a receção com um total de 23 remates, 10 deles enquadrados, ou seja, o dobro daquilo que tinham feito na semana passada. Mais: depois deste jogo, Zé Luís igualou Pizzi enquanto melhor marcador da Primeira Liga (três golos), Corona já é o jogador com mais desarmes (oito) e Marchesín é o guarda-redes com mais defesas (dez).

Na flash interview, Sérgio Conceição não recusou a ideia de uma “semana difícil” e deixou “uma palavra” aos jogadores e aos adeptos. “Não estamos habituados a ter desaires, principalmente o último, que nos custou a presença na Liga dos Campeões. Toda a gente está de parabéns. Entrámos muito bem, estávamos precavidos para a possibilidade de o V. Setúbal se apresentar com uma estrutura ligeiramente diferente. Entrámos de forma agressiva, forte, a pressionar muito o adversário, e nos primeiros 15, 20 minutos criámos cinco ou seis ocasiões de golo”, explicou o treinador dos dragões, que justificou ainda a quebra de ritmo da segunda parte com “algumas situações” que não podem passar em branco. “O Marega praticamente não fez pré-época, Uribe chegou há uma semana, não se pode andar a 1000 o jogo todo. Às vezes é preciso controlar e foi o que fizemos na segunda parte. Somos uma equipa agressiva no sentido de ir ao encontro da baliza, faz parte do nosso ADN, não fugimos a isso, na segunda parte tivemos um bocadinho mais de bola mas quando tivemos de acelerar acelerámos e fizemos golos”, atirou Sérgio Conceição.

Já Zé Luís, que abriu o marcador logo aos 11 minutos e marcou o terceiro dos quatro golos do FC Porto já nos últimos 25 minutos, garantiu que teve uma “noite perfeita”. “É muito bom saber que adeptos estão connosco. Foi uma resposta que demos para mostrar que estamos juntos e fortes, temos de seguir este caminho. É um espetáculo ver estes adeptos a apoiarem-nos. O que aconteceu ficou para trás, faz parte do passado. Temos de olhar para a frente, a resposta foi hoje e vamos continuar o nosso caminho”, disse o avançado cabo-verdiano.

A uma semana do clássico da Luz, o FC Porto recarregou os níveis motivacionais e vai deslocar-se até Lisboa assente numa goleada gorda, num resultado convincente e numa exibição para lá de positiva. Ainda que a mentalidade não remate à baliza e não defenda entre os postes, a verdade é que esta vitória perante o V. Setúbal pode muito bem ter sido o clique de que os dragões precisavam para encerrar um capítulo e abrir de vez a porta à nova temporada.