O ministro do Meio Ambiente do Brasil, Ricardo Salles, foi vaiado esta quarta-feira durante uma conferência de imprensa da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre alterações climáticas. Numa altura em que as atenções estão viradas para os incêndios na Amazónia, vários manifestantes mostraram cartazes contra as políticas do ministro e do Governo brasileiro nas questões ambientais.

[Veja o vídeo do momento em que o ministro Ricardo Salles toma a palavra]

Na semana do Clima da América Latina e Cariba, realizada pela ONU em Salvador da Baía,  Ricardo Salles defendeu as posições de Jair Bolsonaro, segundo a Euronews. “A apresentação de temas de defesa do meio ambiente e da mudança do clima são, sim, muito importantes. A reunião que estamos a ter aqui consolida essa preocupação”, disse. O encontro antecede a reunião sobre o clima da ONU, a COP-25, para implementação do Acordo de Paris, um pacto mundial de combate às mudanças climáticas.

No início deste ano, o governante chegou a anunciar que iria cancelar o encontro em Salvador da Baía, mas acabou por voltar atrás. Na altura, criticou a iniciativa, que reúne participantes de 26 países: “Vou fazer uma reunião para a turma ter oportunidade de fazer turismo em Salvador? Comer acarajé?”.

As políticas ambientais do Governo brasileiro têm gerado várias críticas e Salles foi vaiado não só enquanto subia ao palco, mas também durante o próprio discurso. A Alemanha e a Noruega, dois dos principais doadores do fundo Amazónia, que é usado para estimular a exploração sustentável da floresta tropical, anunciaram que vão cancelar as doações, criticando as políticas adotadas pelo Governo brasileiro. O Executivo de Jair Bolsonaro tem bloqueados recursos para as medidas contra o aquecimento global.

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais do Brasil revelam um aumento na desflorestação da Amazónia de 50% em 2019, face a 2018. Além disso, registou-se um aumento de 83% no número de incêndios florestais de janeiro a agosto face a igual período do ano passado.

[Fogos na Amazónia indignam as redes e as ruas]