O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, comentou a escalada de tensão com os EUA, marcada pelo lançamento de um míssil norte-americano no passado domingo, referindo que este movimento faz parte da “emergência de novas ameaças às quais vamos responder da forma adequada”.

Esta foi a primeira reação em público de Vladimir Putin depois de, no passado domingo, 18 de agosto, o Departamento de Defesa dos EUA ter anunciado que fez um teste de lançamento de um míssil Tomahawk. O lançamento foi feito na San Nicolas Island, na Califórnia, e, de acordo com o comunicado do Departamento de Defesa, o míssil em questão “atingiu com precisão o seu alvo após um voo de mais de 500 quilómetros”.

Este é mais um passo naquela que tem sido uma subida de tom entre os dois países que, até há pouco tempo, estavam unidos no Tratado de Não-Proliferação de Mísseis Intermediários (TNPMI). Porém, após várias ameaças nesse sentido, o Presidente dos EUA, Donald Trump, retirou o seu país daquele acordo no início de agosto, acusando a Rússia de não cumprir a sua parte.

Antes disto, em fevereiro deste ano, Donald Trump já tinha anunciado de forma unilateral a suspensão dos termos do TNPMI — o que, na prática, levou a que os EUA deixassem de estar formalmente obrigados a seguirem as regras anteriormente estabelecidas.

O TNPMI, assinado em 1987 entre Ronald Reagan e Mikhail Gorbatchov, bania o fabrico e desenvolvimento de mísseis cujo alcance estivesse entre os 500 e os 5.500 quilómetros — excluindo apenas os mísseis que pudessem ser disparados a partir do mar.

As declarações de Vladimir Putin foram feitas esta quarta-feira à noite, durante uma conferência de imprensa conjunta em Helsínquia, com o Presidente da Finlândia, Sauli Niinistö. O líder do Kremlin fala ainda depois de, a 8 de agosto, um teste de lançamento de um míssil, que se suspeita ter capacidade de transportar um pequeno reator nuclear, ter culminado numa explosão acidental.

Além de pelo menos sete mortos, entre cientistas que trabalhavam no desenvolvimento daquele míssil, o acidente levou ainda à interdição de qualquer trânsito naval ou uso balnear da Baía do Dvina, onde ocorreu a explosão. As autoridades locais chegaram a reportar um pico na radioatividade, mas esse aviso, publicado na internet, acabou por ser retirado.

A aldeia de Nyonoksa, a cerca de 50 quilómetros do local da explosão, foi evacuada. Porém, a explicação oficial para essa decisão apontou não para a possibilidade de haver radioatividade no ar, mas antes porque era necessária para ali serem realizadas atividades militares.