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Câmara de Santa Comba Dão diz que Centro Interpretativo do Estado Novo não é Museu Salazar

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Câmara Municipal diz que nunca teve intenção de criar um museu dedicado a Salazar, mas sim um Centro Interpretativo do Estado Novo, em parceria com entidades internacionais, esclareceu presidente.

António Oliveira Salazar nasceu no Vimieiro, uma freguesia do concelho de Santa Comba Dão

Gamma-Keystone via Getty Images

Autores
  • Agência Lusa

A autarquia de Santa Comba Dão esclareceu, este sábado, que nunca teve intenção de criar um museu dedicado a Salazar, mas sim um Centro Interpretativo do Estado Novo, incluído numa rede ligada à História e Memória Política. Em comunicado enviado à Agência Lusa, o presidente daquele município do distrito de Viseu, Leonel Gouveia (PS), afirmou que a autarquia que lidera “jamais teve intenção de promover a criação do denominado Museu Salazar”.

O autarca justificou o esclarecimento “em nome da verdade” e consciente das notícias, “muitas delas descontextualizadas”, que davam como certa a criação, em Santa Comba Dão, de um museu dedicado a António de Oliveira Salazar, contrapondo que a intenção do município é criar um Centro Interpretativo do Estado Novo, em parceria com outras entidades regionais.

“Tendo presente a realidade histórica, esta autarquia, em conjugação com outras entidades da região, com destaque para a ADICES — Associação de Desenvolvimento Local, tem vindo a trabalhar num projeto cultural agregador do potencial turístico da região, visando a criação de uma rede de Centros Interpretativos de História e Memória Política da Primeira República e do Estado Novo”, assinalou Leonel Gouveia, que cumpre o segundo mandato consecutivo na autarquia.

“Conscientes de que o presente não seja semelhante ao passado, importa apresentar de forma isenta um importante período da nossa história que não pode ser apagado; conscientes de que é proporcionando informação no âmbito social, político, económico e cultural que melhor podemos ter conhecimento da nossa história coletiva”, sustentou, adiantando que a rede de centros interpretativos “visa a promoção e o aprofundamento da democracia e do desenvolvimento integrado de um vasto território da região Centro” e também “dar a conhecer a participação destes territórios na história política do século XX português”.

Paralelamente, a rede de Centros Interpretativos de História e Memória Política da Primeira República e do Estado Novo — que tem consultoria científica e tecnológica a cargo do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra — “visa a promoção do turismo e lazer alargando a atratividade da região contribuindo para um desenvolvimento coeso destes territórios”.

No dia 16 de agosto, a autarquia de Santa Comba Dão anunciou que pretende iniciar ainda, este mês, a primeira fase de requalificação da Escola Cantina Salazar, no Vimieiro, localidade onde o ditador nasceu, com o objetivo de aí instalar o Centro Interpretativo do Estado Novo, obra orçada em 150 mil euros a concluir até final do ano.

“Este será um local para o estudo do Estado Novo e nunca um santuário para nacionalistas. O que vai ser dado a conhecer é um período de 50 anos da história do nosso país, que teve como figura chave Salazar”, garantia o presidente da Câmara, Leonel Gouveia, numa informação publicada no site do município. O autarca acrescentou que, “de modo algum se pretende contribuir para a sacramentalização ou diabolização da figura do estadista”, sendo o objetivo, “apenas e só fazer um levantamento científico e histórico de um regime político, enquanto acontecimento factual”.

No mesmo dia do anúncio da Câmara Municipal de Santa Comba Dão surgiu uma petição intitulada “Museu de Salazar, Não”, que ao início da tarde de hoje contava com mais de 17 mil assinaturas. Dias depois surgiu outra petição, esta favorável à instalação de um museu dedicado a Salazar, que possui atualmente mais de 9.500 assinaturas.

António Oliveira Salazar nasceu no Vimieiro, uma freguesia do concelho de Santa Comba Dão, mas a criação de um espaço dedicado àquele período da história portuguesa não tem sido pacífica ao longo dos anos.

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