Uma obra da artista britânica Emily Wardill vai inaugurar na quinta-feira o ciclo de vídeo denominado “Pela Liberdade e não por Medo”, no Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado (MNAC), em Lisboa.

Realizado a partir da Coleção de Arte Contemporânea do Estado (CACE), e em colaboração com ela, o ciclo insere-se nas comemorações dos 50 anos da Revolução do 25 de Abril, através de obras de artistas de diferentes gerações e percursos, “sobre um dos momentos mais marcantes e decisivos na nossa história contemporânea”, sublinha o museu, em comunicado.

O primeiro vídeo do ciclo, com curadoria de Emília Tavares e Sandra Vieira Jürgens, tem como título “Night for Day”, obra de 2020 de Emily Wardill, nascida em 1977, artista que vive e trabalha em Lisboa, e cuja prática abrange filme, vídeo, escultura, performance, fotografia e instalação.

Trata-se de um filme que conjuga documentário e ficção, e que “convoca relações filiais em ambiente revolucionário tecnológico, bem como testemunho pessoal”, através das entrevistas a Isabel do Carmo – antifascista e uma das fundadoras do movimento de extrema-esquerda Brigadas Revolucionárias – e apontamentos de arquitetura utópica modernista, como a casa triangular, em Murfacém, Trafaria, da autoria do arquiteto António Teixeira Guerra.

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Complementando estes registos com a realidade da sociedade contemporânea portuguesa, a obra “é de enorme rigor e qualidade cinematográfica, e convoca com perícia e sentido dialético a história recente de Portugal, contribuindo para a urgente e incessante procura do significado da democracia e da liberdade”, sublinha o Museu do Chiado.

Emily Wardill tem desenvolvido investigação contínua sobre a ‘imagem imaginada‘ – o que é, para que tem sido usada e como deixa atrás de si vestígios e estilhaços indeléveis – o que a levou a “exemplos de entropia a estudos de caso sobre o risco de incêndios atribuídos a atividades paranormais”, indica ainda o museu.

O seu trabalho tem sido exposto em museus de França, Áustria, Estados Unidos, Suíça, Reino Unido e Dinamarca, e foi galardoado com o Jarman Award, em 2010, o Leverhulme Award, em 2011, e o prémio EMAF, em 2021. Participou na 54.ª Bienal de Veneza e na 19.ª Bienal de Sydney.