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Argentina

Milhares de argentinos contra o regresso da antiga Presidente

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Milhares de argentinos manifestaram-se a favor da continuidade do atual Presidente Mauricio Macri. A ex-Presidente Cristina Kirchner, com possibilidade de voltar ao poder, é aliada de Maduro.

O Presidente Mauricio Macri e a primeira dama Laura Awada agradecem o apoio dos argentinos

RAMIRO GOMEZ/EPA

Milhares de argentinos manifestaram-se este sábado em apoio à continuidade do Presidente Mauricio Macri, que precisa de reverter um resultado eleitoral adverso para evitar o regresso da ex-Presidente Cristina Kirchner ao poder.

Nas praças e avenidas das maiores cidades como Córdoba, Rosário, Santa Fé, Mendoza e Mar del Plata, uma multidão concentrou-se de forma espontânea com bandeiras argentinas e com improvisados cartazes que giravam em torno do lema: “Defendamos a República”.

“Macri = Democracia / Cristina = Venezuela”, “Democracia x Cleptocracia”, “Cristina presa” podia ler-se em alguns dos cartazes que remetiam sempre para a ideia de que o regresso da ex-Presidente Cristina Kirchner representa autoritarismo, corrupção e uma aliança com o regime de Nicolás Maduro.

Cristina Kirchner (2007-2015), atual candidata à vice-Presidência, enfrenta 12 processos, a maioria por corrupção.

A principal concentração popular aconteceu em Buenos Aires, na praça do Obelisco, centro da capital. Quando o número de manifestantes já superava as expetativas, milhares decidiram marchar, improvisadamente, até a Praça de Maio, em frente à Casa Rosada, sede do Governo.

A maré humana em azul celeste e branco, as cores da bandeira, ocupou toda a Praça, palco de históricos protestos contra governos. Desta vez, no entanto, a manifestação era atípica.

“Sí, se puede” (Sim, é possível), foi o grito que ecoou pela Praça, em referência à titânica tarefa de Macri de reverter a derrota eleitoral de há duas semanas.

As eleições primárias argentinas do último dia 11 funcionaram como uma virtual primeira volta, projetando o que tende a acontecer em 27 de outubro, dia das eleições gerais.

“Sim, é possível reverter o resultado. A Argentina não pode voltar ao passado. Os que querem voltar ao poder já deveriam estar presos”, diz Delia González Díaz, de 64 anos.

“Macri merece mais quatro anos. Fez muita coisa. Melhorou muito a estrutura do país e ainda há muito por fazer. E ele pode conseguir. Sim, é possível”, acredita Luis Petrucelli (53).

Surpreendido com a força do apoio, o Presidente Mauricio Macri partiu em direção à Casa Rosada para agradecer à multidão.

Muito obrigado. Continuemos juntos, que vale a pena. Essa é a mudança que está em marcha. Força!”, disse um eufórico e emocionado Macri, ao lado da mulher, Juliana Awada.

As manifestações foram convocadas, através das redes sociais, pelo ator Luis Brandoni e pelo cineasta Juan José Campanella como forma de dar um empurrão moral aos eleitores de Macri e para interromper o clima de derrotismo que se instalou tanto na militância quanto entre membros do próprio Governo.

“Somos maioria aqueles que querem um país republicano, democrático e decente. Estamos preocupados, mas não derrotados”, conclamou Brandoni.

Entre os manifestantes, viam-se várias bandeiras da Venezuela em representação de milhares de venezuelanos na Argentina que fugiram do regime de Nicolás Maduro e que agora não querem que Cristina Kirchner volte ao poder.

“Vim para a Argentina, fugindo do regime autoritário e perverso de Maduro. Escolhi este país porque Macri representa o contrário. Não quero agora ter de mudar novamente de país com a volta de Cristina, uma aliada do chavismo”, conta, em tom de preocupação, a venezuelana Sikiuk Méndez, de 43.

Num país onde um Presidente pode ser eleito com 45% dos votos, o candidato de Cristina Kirchner, Alberto Fernández, obteve 47% dos votos, com uma inesperada diferença de 15 pontos sobre Macri, considerada praticamente irreversível por todos os analistas políticos.

“Não é impossível porque em política tudo pode acontecer, ainda mais neste país. Porém, é altamente improvável que Macri possa reverter tamanha diferença”, explica o analista Rosendo Fraga, referência no sistema político.

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