Todos os alunos que terminam o ensino secundário podem ser, durante duas semanas, verdadeiros estudantes universitários através de um programa gratuito que permite frequentar até três cursos, independentemente das suas notas.

Guilherme experimentou Economia e Gestão e depois Filosofia, Ana Rita Silva quis perceber se Enfermagem era mesmo a área que queria seguir e Maria Pignatelli frequentou as aulas de Ciência Política e Relações Internacionais, mas também de Gestão.

Estes são apenas três dos cerca de 40 alunos que já testaram o “Programa Experiências Académicas” criado pela Gap Year Portugal (GYP). Em setembro começa a 4.º edição, cujas inscrições terminam no final da semana.

Terminado o 12.º ano, as dúvidas quanto ao futuro agravam-se e, por vezes, o desejo de parar um ano parece ser a melhor solução. Há quem opte por fazer uma viagem ou arranjar um emprego temporário, mas também há quem queira experimentar um curso superior.

O “Programa Experiências Académicas” (PEA) começou há quatro anos e Guilherme Afonso foi dos primeiros a aproveitar a oportunidade.

A curiosidade de conhecer a Nova School of Business and Economics (Nova SBE), uma escola moderna acabada de construir junto à praia e que anunciava ser a casa de “mentes brilhantes”, levou Guilherme Afonso a escolher o curso de Economia e Gestão, onde no ano passado só conseguiram entrar alunos com uma média superior a 16,9 valores.

Depois havia o interesse genuíno pela Filosofia, pelo “prazer do conhecimento”, contou à Lusa Guilherme Afonso, o portuense que acabou por se inscrever nos dois cursos em Lisboa.

O PAE foi desenhado a pensar nos alunos que terminam o secundário. Guilherme Afonso foi uma exceção: já tinha entrado em Engenharia Física, na Universidade do Porto, mas depressa percebeu que tinha feito uma escolha errada e desistiu do curso.

“Teria sido muito mais vantajoso se tivesse tido a oportunidade de experimentar o curso de Engenharia Física em vez de andar lá durante um ano inteiro”, lamentou o jovem de 20 anos que agora está a tirar o curso de Fotografia e Audiovisual na Universidade Católica.

Os alunos podem experimentar até três cursos, mas Ana Rita Silva optou apenas por um: Escola Superior de Enfermagem, no Porto.

“Não sabia muito bem o que queria fazer e sentia que precisava de parar um ano. Decidi experimentar enfermagem e adorei”, disse à Lusa a jovem de Carregal do Sal, em Viseu, que durante duas semanas se mudou para o Porto, onde teve uma “experiência enriquecedora”.

Na primeira semana frequentou as aulas do 1.º ano e na segunda as cadeiras do 2º ano: “Vivi uma vida de universitária”, recordou a jovem que no ano seguinte concorreu ao concurso nacional de acesso ao ensino superior e entrou no curso de enfermagem.

Ao contrário dos concursos nacionais, no GYP nunca nenhum aluno foi excluído. São cerca de 100 cursos em oito instituições: Universidade de Coimbra, Universidade de Lisboa, Universidade do Porto, Universidade Nova de Lisboa, Universidade de Évora, Universidade do Algarve e Escola Superior de Enfermagem do Porto e o Instituto Politécnico de Leiria.

Normalmente, as faculdades não apresentam restrições quanto ao número de participantes, segundo informações avançadas à Lusa pela associação sem fins lucrativos.

As Universidades de Lisboa e do Porto são as que têm mais procura: Em Lisboa destaca-se a Nova e no Porto as faculdades de Engenharia (FEUP), Economia (FEP) e Letras (FLUP). Nos últimos tempos, a Universidade do Algarve também ganhou fama.

Maria Pignatelli optou pelos cursos de Ciência Política e Relações Internacionais na Nova de Ciências Sociais e Humanas e o curso de Gestão na Nova SBE.

“Achei o programa perfeito para o meu período de indecisão: pude experimentar cursos de áreas diferentes, em diferentes faculdades por todo o país. O céu parecia ser o limite”, explicou à Lusa Maria Pignatelli.

Maria sentia-se “emancipada”: “Assistia às aulas, podia colocar perguntas livremente e falar com os professores no fim. Não tinha faltas, testes, exames ou trabalhos de grupo com que me preocupar e ainda tinha acesso a visitas de estudo e à cantina da faculdade”, recordou.

Gostou da aventura, mas acabou por não seguir nenhuma das áreas que experimentou. Hoje está inscrita em Marketing e Publicidade do IADE.

No ano passado, o Gap Year Portugal decidiu abrir uma 2.º fase de inscrições que decorre durante o segundo semestre para os alunos não conseguem tomar uma decisão durante os meses de verão, até porque muitos estão dependentes dos resultados do concurso de acesso ao Ensino Superior.

Para todos os outros que querem ter uma experiência académica, o prazo de candidatura termina a 1 de setembro.