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Incentivos públicos já levaram 150 médicos para o interior, diz ministro Siza Vieira

Os incentivos são necessários porque "às vezes é mais fácil atrair pessoas do estrangeiro para virem viver para Castelo Branco do que [pessoas] de Lisboa", segundo o ministro Adjunto e da Economia.

O ministro Adjunto e da Economia numa visita à Rádio Observador, para uma entrevista no passado mês de julho

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Autor
  • Agência Lusa

O ministro Adjunto e da Economia afirmou esta segunda-feira que a criação do estatuto especial para os médicos que quisessem trabalhar em territórios menos favorecidos já permitiu levar 150 clínicos para territórios onde normalmente não existem preferências.

“Neste mandato, tivemos uma medida que foi criar um estatuto especial para os médicos que quisessem estar a trabalhar em territórios menos favorecidos e isso já nos permitiu levar 150 médicos para territórios onde normalmente não existem preferências”, afirmou aos jornalistas Pedro Siza Vieira, antes do início da última reunião de secretários de Estado desta legislatura, que decorre esta segunda-feira em Castelo Branco, na Secretaria de Estado para a Valorização do Interior.

O governante explicou que, por isso, uma das medidas do plano valorização do interior inclui, de um modo mais geral, um estatuto que apoie a mobilidade de funcionários públicos para os territórios do interior.

Entendemos que em alguns momentos é preciso criar incentivos e vencer alguma inércia. É mais fácil atrair pessoas do estrangeiro para virem viver para Castelo Branco do que, propriamente, às vezes, pessoas de Lisboa. E essas são perceções que temos que mudar”, frisou.

O ministro sublinhou ainda que se registaram sucessos importantes ao nível da diversificação da base económica e da atração de atividade económica para estes territórios mais desfavorecidos.

“Nestes últimos quatro anos tivemos investimentos muito significativos nos principais polos urbanos do interior do país, criando empregos e aumentando as exportações. Esse é um ponto em que claramente a vertente é muito positiva”, sustentou.

Os “sinais de investimento no interior” que Siza Vieira detalha

Pedro Siza Vieira adiantou ainda que o Governo começou a dar uma “atenção distinta” à atividade florestal, com a reforma da floresta: “Começa a ter o enquadramento necessário para conseguirmos ter uma atividade que assegure uma maior produtividade florestal e uma mudança da nossa paisagem agrícola. E depois os vários projetos-piloto para explorar modos diferentes de chegar e servir as populações, reabrindo tribunais, assegurando a mobilidade de pessoal médico para territórios menos favorecidos, tudo isso são sinais de algum investimento no interior, designadamente também pela abertura de serviços no interior”, concluiu.

Questionado sobre as portagens nas ex-Scut, nomeadamente na A23 e A25, que na sexta-feira vão ser alvo de uma nova ação de protesto a pedir a sua abolição, recordou que com este Governo, logo em 2016, as autoestradas do interior foram objeto de uma redução generalizada em 15% e de uma redução dirigida para os veículos das classes dois, três e quatro, em 50% no período noturno e 30% no período diurno.

Já este ano, voltámos a reduzir o valor das portagens para os veículos de mercadorias, como uma forma de reduzir os custos de contexto para as empresas. É um processo que queremos continuar nos próximos tempos, com medidas mais dirigidas aos residentes”, afirmou.

Pedro Siza Vieira admitiu que o Governo gostaria de ter ido mais longe em muitas coisas: “Aquilo que se passa é que temos que conciliar e fazer escolhas de tal maneira que os avanços que vamos fazendo em benefício das populações e das empresas não comprometam um esforço muito grande de consolidação das finanças públicas, que nos permita assegurar que a economia continua a crescer sustentadamente e que as finanças públicas continuem equilibradas”.

Caso isso não aconteça, o governante recorda que as medidas que podem ser tomadas no imediato e que podem parecer muito interessantes, a curto prazo, podem depois precipitar problemas maiores no futuro. “O que queremos é que todas as medidas sejam irreversíveis e se consolidem”, concluiu.

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