Qual é a melhor escola da Europa a ensinar ciências? É portuguesa e fica em Alcanena

É a única da Europa a receber o selo de Proficiente no ensino de Ciências e Tecnologias. Até agora ninguém se tornou Expert e “seria fantástico” se recebem a distinção no próximo ano, diz a diretora.

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Ana Cláudia Cohen, diretora do agrupamento de escolas de Alcanena, diz que ali há uma cultura enraizada em termos de projetos STEM

Henrique Casinhas

Ana Cláudia Cohen, diretora do agrupamento de escolas de Alcanena, diz que ali há uma cultura enraizada em termos de projetos STEM

Henrique Casinhas

Quando num concurso televisivo de cultura geral, o apresentador perguntar qual é a melhor escola da Europa a ensinar Ciências e Tecnologia, tenha a resposta na ponta da língua. É portuguesa e fica no distrito de Santarém. O nome? Agrupamento de escolas de Alcanena, dirigido pela professora Ana Cláudia Cohen.

A distinção vem do STEM School Label, um projeto financiado pela União Europeia lançado em 2017, e que tem como objetivo apoiar as escolas na educação de Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática (que juntas fazem a sigla inglesa STEM), motivando os alunos para estas áreas. Pelo caminho, dão às escolas as ferramentas necessárias para envolver a comunidade educativa em atividades ligadas a esta área. E definem que critérios deve uma escola ter para poder ter esse selo.

Este ano, segundo números divulgados pelo STEM School Label, um total de 1.100 escolas juntaram-se ao projeto. Destas, 300 escolas de 15 países diferentes, alcançaram o selo de Competentes no ensino da Ciência, 5 delas portuguesas. O nível seguinte, o Proficiente, foi entregue apenas a Alcanena. Por atribuir, fica o terceiro e mais alto nível desta cadeia, o de Expert ou Especialista.

E Alcanena pode já sonhar alto com uma distinção destas? “Seria fantástico receber essa distinção”, diz a diretora do agrupamento, Ana Cláudia Cohen, que vê este selo como um reconhecimento do trabalho das escolas do agrupamento e dos professores. “Estive a olhar para as evidências que tínhamos fornecido e agora já temos o triplo, portanto…”, sublinha, lembrando que no ano letivo que terminou a sustentabilidade e biodiversidade foram tema aglutinador de todos os projetos dos estudantes, num agrupamento que recebe crianças do pré-escolar ao 12.º ano. “Todos os projetos valorizaram a ciência, por isso só posso dizer que está em cima da mesa.”

Para decidir qual o selo atribuído a cada escola, o programa avalia a estratégia STEM seguida no estabelecimento de ensino a par de outros fatores. Uma escola Competente (e já há cinco portuguesas) corresponde à que tem uma prática mínima de estratégia STEM, uma Proficiente tem de ter uma abordagem mais avançada e uma Expert tem de o fazer de forma excecional.

Entre os vários critérios analisados estão, por exemplo, a personalização do ensino, a aprendizagem baseada em problemas e em projetos, o ensino interdisciplinar, se é feita ou não avaliação contínua e personalizada. Também são levados em conta a qualidade da equipa, a liderança e a cultura escolar.

Em Alcanena, essa cultura virada para o STEM sempre existiu, e segundo a diretora fortificou-se com o diploma que implementou a autonomia e flexibilidade curricular.

“Temos uma cultura enraizada em termos de projetos STEM. Com a flexibilidade tornaram-se mais robustos. O que tínhamos no passado eram projetos feitos fora da sala de aula, só para alguns alunos. Hoje em dia, os projetos são curriculares, são feitos na sala de aula e são para todos”, explica Ana Cláudia Cohen, que diz que também o plano vertical de ciências experimentais, que vai do pré-escolar ao 12.º ano, ganhou agora nova vida.

O agrupamento tem, por exemplo, uma parceria com o Centro de Ciência Viva do Alviela que engloba o programa XXS para as crianças do jardim de infância. “É muito gratificante vê-los a falar de coisas complexas de uma forma muito simples desde pequeninos”, diz a diretora do agrupamento.

Mais tarde, já no 3.º ciclo, para além da Ciência Viva, o agrupamento tem parcerias com universidades e politécnicos, e no secundário os próprios alunos começam a deslocar-se às Faculdades de Ciências e Tecnologia. “São elas que validam os nossos projetos e são os alunos que identificam os problemas, que contactam as universidades, que se deslocam lá quando os nossos laboratórios já não são suficientes para as experiências. É um grau de autonomia que é gradual e tem expoente máximo no secundário”, detalha a professora.

Para além do selo, o Agrupamento de escolas de Alcanena é também embaixador do projeto, juntamente com a Escola Secundária do Entroncamento e a Escola Secundária de Loulé e outros estabelecimentos de ensino estrangeiros. O que é que isso implica? “Implica mostrar ao mundo o que fazemos. Este fim de semana estaremos em Bruxelas e vamos ver quais são as novidades e aquilo que nos espera”, conclui Ana Cláudia Cohen.

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