A campanha para as eleições legislativas de outubro no Canadá arrancou este sábado e o atual primeiro-ministro, Justin Trudeau, está já a perder terreno nas sondagens, com uma desvantagem de quase cinco pontos percentuais face ao rival conservador, Andrew Scheer, segundo a Reuters. Os resultados surgem depois de ter sido divulgada uma fotografia, tirada em 2001, na qual Trudeau aparece com a pele escurecida, numa festa com o tema Mil e Uma Noites.

Se as eleições legislativas no Canadá fossem este sábado, os conservadores venceriam com 36,8% dos votos, mais 4,8 pontos percentuais do que os liberais de Trudeau (32%), segundo a Nanos, uma empresa canadiana especialista em sondagens. Nem o pedido de desculpas público de Trudeau ajudou o governante a recuperar e os números mostram que a distância entre os dois candidatos aumentou. Isto porque, uma outra sondagem, publicada apenas um dia antes, na sexta-feira, dava uma vantagem de 3,2 pontos percentuais a Scheer.

A sondagem divulgada este sábado foi realizada de 17 a 20 de setembro. Recorde-se que a imagem de Trudeau foi divulgada na noite de 18 de setembro.

Numa segunda sondagem, da Mainstreet, também dada a conhecer este sábado, Justin Trudeau aparece como vencedor (com 36,8% dos votos, enquanto os conservados se ficam pelos 34,2%). Mas trata-se de uma queda de 0,4 pontos percentuais face à sondagem anterior (os conservadores recuaram 0,2 pontos).

Os dois rivais têm estado empatados nos últimos meses. Um estudo de uma empresa especializada em pesquisas sobre consumo, a Potloc, revelou que os eleitores liberais que estão desiludidos são mais propensos a mudar o voto para o partido de centro-esquerda Novo Partido Democrático (NDP, na sigla original) ou para os Verdes do que para os conservadores.

“Quase nenhum dos eleitores liberais está interessado em dar uma ‘gorjeta’ aos conservadores. Um escândalo liberal não aumenta significativamente o apoio conservador, mas iria para o NDP ou para os Verdes”, disse Marc Di Gaspero, chefe de pesquisa para a América do Norte da empresa. A sondagem da Nanos dá aos novos democratas uma subida de 12,8% na sexta-feira para 13,7% no sábado.

O especialista em sondagens, David Coletto, defendeu que o escândalo causado pela fotografia pode não afastar os votos dos liberais. O risco é outro: a polémica arrisca a “desmotivar ainda mais” os apoiantes de Trudeau, que podem optar por ficar em casa no dia das eleições, a 21 de outubro.

Depois de conhecida a fotografia, Trudeau pediu desculpas publicamente. “Não o devia ter feito. Foi um erro. Lamento profundamente”, afirmou, em declarações à imprensa. O governante descartou, contudo, a demissão. E reconheceu que ter escurecido o tom de pele no rosto e nas mãos constitui “uma prática racista”, embora não estivesse disso ciente na altura.

A imagem, que mostra Trudeau, então com 29 anos, na companhia de quatro mulheres, foi retirada de um álbum de final de ano de uma escola privada de Vancouver, onde o canadiano ensinava. “Estou vestido com um fato de Aladino e maquilhado. Não devia ter feito isso (…) É algo que não considerei racista na altura, mas reconheço hoje que é. E lamento imenso por isso”, sublinhou. Esta prática, designada em inglês como blackface ou brownface, tem sido conotada como uma prática racista.

Justin Trudeau foi eleito em 2015. O conservador Andrew Scheer, o social-democrata Jagmeet Singh e a ecologista Elizabeth May são os quatro principais candidatos ao cargo de primeiro-ministro do Canadá.