Uns arriscaram a carreira de treinador, casos de Phil Neville, Roy Keane, Ryan Giggs, Ruud van Nistelorooy, Paul Scholes ou John O’Shea. Outros assumiram apenas a carreira de comentadores, como Rio Ferdinand. E ainda houve Gary Neville, que não tendo propriamente muito sucesso enquanto técnico e tem estado agora a analisar jogos num canal televisivo. Por influência de Alex Ferguson, vocação ou necessidade de manter a ligação ao futebol, a equipa do Manchester United que perdeu na Alemanha frente ao Estugarda há 16 anos enveredou quase toda por um de dois caminhos à exceção de Mikäel Silvestre (que ainda teve uma curta carreira como diretor desportivo mas deixou de vez o cargo). Depois, havia Tim Howard, ainda hoje na MLS, e… Cristiano Ronaldo.

O português estreou-se a 1 de outubro de 2003 na Liga dos Campeões, com 18 anos e 238 dias. Não marcou, não fez uma assistência, sofreu uma grande penalidade convertida por Van Nistelrooy e os red devils até perderam. No entanto, começava aí uma história que ainda vai conhecendo capítulos. Uma história que, às vezes, dá a sensação de que nunca encontrará um ponto final. E que teve esta noite o 164.º encontro, com a Juventus a receber e vencer o Bayer Leverkusen num encontro que esteve difícil mas que acabou num 3-0 que podia ter outra expressão. E logo com esse dado: Ronaldo passou a ser o jogador com mais vitórias na Liga dos Campeões.

Depois de um início onde o Bayer Leverkusen até teve maior capacidade para colocar a bola no chão e fazer o seu futebol apoiado, bastou um erro defensivo para a Juventus saltar para a frente do encontro: Jonathan Tah, central internacional alemão formado no Hamburgo, teve um corte incompleto e mal resolvido à segunda que Higuaín, de fora da área, aproveitou para rematar colocado para o 1-0 (17′). O argentino justificou a aposta de Sarri, que deixou Dybala de fora e promoveu também a titularidade de Bernardeschi, e marcou o golo que dava vantagem aos italianos ao italiano, num encontro sem grandes oportunidades.

No segundo tempo, Aránguiz deixou uma primeira ameaça à baliza de Szczesny mas, com o acelerar do ritmo da Vecchia Signora, o encontro desequilibrou de vez depois da boa exibição dos germânicos na primeira parte e os transalpinos foram criando oportunidades atrás de oportunidades, com Hradecky a evitar um golo feito de Ronaldo na área antes do 2-0 de Bernardeschi, numa jogada de combinação entre o português e Higuaín com assistência do argentino para o remate certeiro (62′). Pouco depois, Pjanic ainda teve um canto marcado de forma direta que acertou no poste e Hradecky ainda ia marcando um autogolo… ao receber mal a bola.

O encontro estava resolvido mas nem por isso Ronaldo tinha desistido de fazer um golo que coroasse a exibição em Turim neste aniversário “simbólico”, até para aumentar para 33 o número de equipas a quem marcou na Liga milionária (igualando o recorde de Raúl) e confirmar o registo de quase um golo por partida contra equipas alemãs. No entanto, Hradecky voltaria a brilhar entre os postes, com uma defesa impossível a remate do português na área após mais um passe de Higuaín, num lance onde CR7 pareceu ter ficado com a sensação de que estaria em posição irregular. O 2-0 parecia que ia subsistir até ao final mas o número 7 ainda tinha o quinto remate do encontro engatilhado, aquele que, após assistência de Dybala, valeria o 127.º golo, reforçando o estatuto de melhor marcador da principal prova europeia de clubes. Mais um recorde a caminho de outro, o mais importante para o jogador – ganhar o sexto título na competição pela terceira equipa, algo que só Seedorf conseguiu alcançar.